quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A perfeição está à nossa volta e não naquilo que possamos fazer…

É curioso como, por vezes, a natureza conspira a nosso favor. É engraçado como a vida é cheia de contradições, de extremos que se tocam.
Fevereiro é o mês dos namorados (dizem), é o mês mais curto do ano, este ano é também o mês da diversão, da brincadeira. Para mim não, para mim é um mês tristonho e cinzento. Parece-me longo e tem sido intenso. Não me apeteceu fazer jantares de Valentim nem me apetece brincar ao Carnaval, não me apetece muito brincar, de todo. Para mim podia continuar a chover… Mas curiosamente, depois de tantos meses de chuva, Fevereiro trouxe-nos o Sol, tão característico deste nosso país “à beira-mar plantado”. Não sei como é com o resto da população mas eu, apesar de gostar dos dias de chuva, de sentir as gotas a cair na cara, de estar no sofá enrolada na manta a ver filmes, apesar de me saber tão bem o chá e o chocolate quente, tenho uma forte relação com o Sol (para quem acredita em astrologia, poderá explicar-se assim). O Sol obriga-me a acordar com outro animo, com outra visão sobre as coisas, o Mundo lá fora parece mais bonito com este brilho, com esta luz intensa. E é assim que eu acho que a Natureza tem tentado conspirar a meu favor, fazendo-me ver o Sol todas as manhãs, para que não perca o animo, para que continue a ter esperança que este mês vai passar depressa (embora não pareça) e que, em breve, ficará apenas uma saudade boa de tudo o que passou. Que o vazio vai doer menos a cada raio que me toca, que a tristeza vai sendo mais ténue cada vez que sinto o seu calor. No fundo, tudo o que precisamos está à nossa volta, temos só que procurar o refúgio que mais se nos adequa, o que melhor nos faz sentir.
Quando posso deter-me a olhar o mar, deixar-me embalar pela sua ondulação, ouvir as suas preces contra as rochas, sentindo o Sol no rosto, penso que a Natureza é de facto perfeita.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Até breve... Até Sempre...

Nunca serás esquecido, nunca deixaremos de sentir a tua falta, talvez nunca me perdoe por não ter dito adeus... Mas quem sabe não seja um adeus e antes, um até sempre... "As pessoas só morrem se nós deixarmos" e tu estarás sempre vivo no meu coração e na forma como te recordo... E sei que voltarei a falar contigo, muitas vezes, sei que vou continuar a escrever-te e, quem sabe, me possas ver... Mas agora, podes finalmente descansar em Paz...
Com amor, da sempre tua,
Kel... Até breve*



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Um dia de cada vez...

Nunca esta frase fez mais sentido. Um dia de cada vez, uma hora de cada vez... a vida em câmara lenta.

Há momentos que nos mudam de forma permanente e incontornável, já várias vezes o referi porque sei que é assim, porque já o senti na pele, porque já o vivi. Cada um desses momentos altera a nossa forma de encarar a vida na medida da sua gravidade, das consequências que tem para nós, na mudança dos nossos hábitos, daquilo que temos como garantido. A doença, os desamores, os desencontros, todas as formas de perda, os sonhos que vemos destruídos, a falta de rumo, tudo nos faz ver que a vida nem sempre é como queremos, que o tempo de que dispomos não é ilimitado e que o melhor é não perder tempo com pequenos nadas porque um dia tudo muda e a oportunidade de fazermos, de realizarmos, de construirmos os nossos sonhos, pode desvanecer-se sem pré-aviso.
Contudo, não há nada que nos atordoe mais do que a morte. O sentimento de perda é inigualável e definitivo e isso deixa-nos perdidos. O tempo suaviza, atenua mas nada nem ninguém poderá substituir a pessoa que se perde e, nesse momento, sentimos uma necessidade gigante de lhe falar, de dizer as coisas que não dissemos a tempo, percebemos que havia um cem número de palavras que nem sabíamos estar a conter.

Há algum tempo uma amiga escreveu sobre uma frase de uma série televisiva pela qual partilhamos o gosto. Dizia uma personagem dessa série que existe um "Clube dos Pais Mortos". "Só se sabe da existência desse clube quando já fazemos parte dele. Antes disso simpatiza-se, tem-se compaixão, é-se solidário com a dor do outro, lamenta-se...mas não se faz parte, nem se tem verdadeiro conhecimento da sua existência, assim como não se escolhe fazer parte dele".

Na altura compreendi as suas palavras, achei que faziam todo o sentido mas realmente eu não podia saber o que ela estava a sentir porque não fazia parte do "Clube". Podia dar-lhe força, animo, ser solidária com a dor dela mas não podia saber como era. Ironia do destino ou não, recentemente vi um episódio repetido da referida série e o discurso daquela personagem teve um significado totalmente diferente aos meus ouvidos. Senti uma lágrima escapar-se e naquele momento compreendi que não havia nada mais verdadeiro. Podemos perder muitas pessoas ao longo da nossa vida, podemos sofrer com essas perdas, ficar tristes, perdidos. No entanto, nada se compara à perda dos nossos pais. Podemos não ter a melhor relação com eles, podemos nem ser próximos, podemos achar que estamos preparados... Chegado o momento nunca estamos e dói sempre, incomparavelmente mais do que alguma vez imaginámos. Naquela derradeira hora tudo o que ficou para trás deixa de fazer sentido, perde importância e só conseguimos pensar nas milhares de coisas que ficaram por dizer. O "depois" parece-nos vazio e temos que reaprender a viver, a respirar, a fazer planos, a socializar, a voltar à rotina... Temos que reaprender a ser nós e a sorrir. Há momentos em que achamos que tudo está bem e que só temos que nos conformar, dizemos para nós que a vida é mesmo assim mas há outros em que a tristeza se abate sobre nós, de repente, volta o vazio, a saudade... É assim neste "Clube"... Um dia de cada vez, um sorriso de cada vez, uma lágrima de cada vez... Nada voltará a ser como era antes mas a vida continua mesmo e quem cá fica tem que fazer o melhor que sabe. Dizia um livro que li em tempos que, a vida não pára para que possamos juntar todos os pedaços do nosso coração, quando este se parte em mil pedaços.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Quanto custa dizer Adeus…

Hoje o meu dia foi longo e dificil, o meu mundo ficou mais pobre e não me apetece dormir. Sinto-me exausta e não tenho vontade de falar, nem ouvir, nem escrever… Mas tenho que escrever, desabafar e no papel é tão mais fácil.

Hoje a alegria esmureceu, baixou as orelhas e não quer sorrir. Hoje as gotas que transbordam dos meus olhos não são de felicidade. Hoje, 2 de Fevereiro de 2009, foi o fim de um ciclo mal acabado que nunca poderei concertar. Hoje… Hoje… não tenho metáforas que me confortem, não tenho hipérboles que me traduzam a alma, não há figuras de estilo suficientes para explicar o que estou a sentir. Nem eu sei, nem eu consigo.

Para quem me conhece, para quem conhece a minha história, poderá parecer hipócrita, falso, vazio… A verdade é que eu própria não podia imaginar que quando o dia chegasse ia doer assim… A certeza de o não ver, nunca mais, de não ter respostas, de não poder sequer despedir-me, a incerteza do teu destino, o não saber o que fazer, como agir, a tristeza de te saber sozinho entre estranhos, abandonado nesta última etápa… Não posso explicar nem posso pedir que alguém me compreenda, só sei sentir.

Todas as palavras que agora possa escrever, me parecem vagas, sem conteúdo. Escrevo apenas para tentar aliviar um pouco este peso que sinto em mim. Gostava de saber se leste as minhas palavras para ti, se algum dia, onde quer que estejas, poderás ler estas, gostava de saber se compreendeste o que disse, se ficaste em paz… Gostava da certeza de que existe algo mais, além desta vida. A certeza de que um dia poderemos sentar-nos os dois e falar sobre tudo e sobre nada. Tu voltas a sentar-me no teu colo, apagas todas as minhas memórias e recomeçamos a nossa história. Gostava de ter certezas, gostava de ouvir a tua voz uma última vez, gostava de ter dito adeus, apesar de detestar e evitar despedidas… Agora restam-me estas linhas que te escrevo porque é a única coisa que sei fazer, a única coisa que me sai directamente da alma… Gostava de te ter escrito mais, mesmo achando que a maior parte das vezes não merecias. Mas quem sou eu para julgar?! Se pudesse voltar atrás não perderia a oportunidade de o fazer, fosses merecedor ou não. Mas agora é tarde e resta-me a esperança de que tu possas estar a ver-me de alguma parte, que consigas ler e que partas com a certeza que, apesar de tudo, nunca deixei de te amar, nunca deixei de ser o teu “porta-chaves”. Apenas cresci e a vida fez-me criar demasiadas defesas… Demasiadas!

Talvez te volte a escrever, na esperança que agora tomes conta de nós, de mim, que me leias e me vigies… Sim, talvez te volte a escrever mas agora já não tenho mais palavras, já não tenho mais fôlego e ardem-me os olhos… Adeus Pai! Até Sempre…