terça-feira, 23 de setembro de 2008

Existirão coincidências?

Conversavam calmamente sobre outros tempos e outras histórias quando decidiram, sem mais nem menos, sem planos nem marcações, sem mais nem demoras que partiriam no dia seguinte de manhã, rumo a uma nova aventura.

Não sabiam que roupa levar ou onde iam pernoitar, não sabiam bem o caminho e não levaram mapas ou bussolas. Apenas os sonhos, a esperança de chegar e a vontade de olhar o mundo de outra perspectiva, de outro cantinho do planeta, com sotaque merengado.

Partiram, felizes, confiantes, sorridentes. Ouviam música alta e diziam disparates quando o primeiro obstáculo se lhes depara… “POOMMMMMM” – Sim, podiamos estar agora a ver um quadradinho de BD mas não… à sua frente havia explodido um pneu de um camião. Depois de uma travagem a fundo para evitar serem atingidas pelos destroços da viatura, conseguem esquivar-se por entre a fumarada que dali vinha e escapar, de coração sobressaltado mas ilesas.

Respiraram fundo como que para ganhar folgo para seguir e lá foram… Certas de que nada mais tinha sido do que um grande susto e uma infeliz coincidência… Novamente se aumentou o volume do rádio e de volta às confidências habituais prosseguiram.

Heis senão quando, avistam na beira da estrada, um veículo totalmente destruido, dois carros parados, gente de volta do acidentado e nenhuma ambulância, policia ou qualquer outra autoridade. Sabendo da habitual tendência portuguesa para o heroísmo e disparate, não podiam fechar os olhos a esta situação… Mais uma vez a viagem estava interrompida. Prontamente correram para o local, tentando perceber o que tinha acontecido… O acidentado era afinal uma senhora que viajava sozinha, tinha cerca de 60 anos, sangrava da cabeça e tinha dificuldade em manter-se acordada. Era preciso obrigá-la a manter os olhos abertos, a custo de qualquer conversa de circunstância e apressar a ajuda que teimava em não chegar. Foram precisos vários telefonemas e muita persistência para conseguirmos ter alguém no local. Enquanto isto a preocupação da BT era “a Sra. não consegue chegar aos seus documentos?”… Impressionante como alguns destes senhores que alegadamente circulam pelas nossas estradas para nos ajudar e proteger conseguem, em momentos de crise, ter a sensibilidade de um elefante.

Enfim a ajuda chegou, a Sra. foi removida da viatura e transportada para o hospital mais próximo. Iam novamente seguir viagem, com a certeza de que tinham feito a coisa certa, de consciência tranquila mas com o coração mais apertado… Tinha sido mais uma infeliz coincidência.

Outras peripécias se seguiram… Camionistas a deambular por entre faixas, hotéis lotados e estradas cruzadas, cortadas, irreconheciveis, imcompreensiveis… Um conjunto de dificuldades que só ao fim de várias horas foi possível vencer.

Valeu a pena! É preciso dizer que depois de muito praguejar e rir ao mesmo tempo, depois de se ouvir várias vezes naquele carro “amanhã vamos embora”, isto não aconteceu. Com muito sentido de humor, esperança e umas boas gargalhadas conseguiram chegar… Não ao destino inicialmente pensado (outra das muitas peripécias) mas ao destino alternativo encontrado que acabou por se revelar uma agradável surpresa e aí ficaram o tempo previsto.

Outras risadas se seguiram, com a cumplicidade habitual e o divertimento que sempre conseguem encontrar. Foram dias bem passados… Sabe bem escapar à vida real, nem que seja apenas por um instante, esquecer o mundo e rir, rir muito. Dizer disparates, recarregar baterias, alimentar o ego, recordar que existem pessoas nas nossas vidas que permanecerão para sempre nelas. São familia, embora não sejam do mesmo sangue. Mais que isso, são parte de nós.

Chegada a hora do regresso fica a nostalgia e o receio de uma viagem como a anterior… Não foi tão caricata, é certo mas não podia passar despercebida. Desde enganos nas saídas, à má sinalização das estradas além fronteiras, ao desespero de certos homens para captar a atenção de duas amigas em viagem… Tudo se viu neste regresso a casa.

Enfim chegaram… Sãs e salvas, com mais histórias para contar, mais aventuras daquelas que nos fazem sorrir… Passados os momentos de susto, dá vontade de rir.

Há dias de manhã em que uma mulher à tarde não devia sair à noite… Valeu a pena mas será que continuam a acreditar em coincidências?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Finding your place...

Há pessoas que não sabem o seu lugar! Confundem com facilidade amigos e conhecidos, têm dificuldade em definir e compreender prioridades, acontecimentos, eventos e afins. Julgam-se no direito de ter lugar cativo não apenas na vida dos supostos amigos como dos conhecidos. Têm dificuldade em compreender que há momentos na vida de cada um que pertecem apenas às pessoas mais próximas, àqueles amigos de todos os dias, que nos aturam, que riem e choram connosco e que até podemos não ver com a frequência desejada mas que sabemos que continuam a fazer parte de nós. Não apenas nos encontros pontuais, ocasionais, sociais mas para tudo, para sempre.

E a vida até nos pode levar por caminhos diferentes mas não nos esquecemos, não deixamos de lhes querer bem e sabemos que em qualquer altura eles estaram à distância de um telefonema ou de um click.

Não quer dizer que não gostamos de todas as outras pessoas que de um modo ou de outro entram na nossa vida, que de um modo ou de outro estão presentes ainda que de forma pontual, não quer dizer que não tenhamos gosto em vêr e revêr esses conhecidos mas é importante perceber que nem todos têm ou podem ocupar igual lugar nas nossas vidas e nos nossos corações. E não temos que levar isso a mal, não é estranho, é humano! E não quer dizer que não possamos convidá-los para um cem número de acontecimentos mas há momentos que são privados, únicos e incomparaveis e esses momentos pertencem àqueles amigos que consideramos mesmo Amigos e não a todos os que conhecemos. E é claro que nos podemos enganar nestas considerações, podemos fazer juizos menos correctos ou tirar elações que fogem à realidade mas gosto de acreditar que o ser humano ainda pode ser bom em essência, que todos todos têm direito a tomar decisões sem julgamento, que até os amigos nos podem desiludir sem que isso os penalize, porque errar é humano e a perfeição é uma útopia e, acima de tudo, que ainda existem amigos que vamos guardar para toda a vida. E estes não nos julgam, ouvem-nos. Não nos recriminam, compreendem-nos. Dizem-no de forma directa quando pensam que errámos mas não deixam de estar ao nosso lado porque o fizemos…
Ser amigo é a tarefa mais dificil de desempenhar mas também a melhor.