quinta-feira, 17 de abril de 2008

Muito pouco Bridget...

Embora a maioria dos que por aqui passam julguem que escrevo sobre a minha pessoa, isso nem sempre é verdade. Em geral escrevo sobre aquilo que vejo, que sinto no ar, que presencio ou simplesmente sobre aquilo que julgo serem as preocupações (ainda que não explicitas) da maioria das pessoas. E sim, uma vez por outra, muito de vez em quando, escrevo sobre mim e para mim, sendo que esta última premissa é sempre verdadeira.

Mas hoje é um desses dias em que escrevo “de” mim... Já há algum tempo que andava com dúvidas sobre determinado assunto e agora finalmente lembrei-me de como poderia certificar-me de que estava certa.

Sabem quando querem muito descobrir uma “verdade”, que ainda não sabem se o é mas ao mesmo tempo têm receio porque uma vez descoberta não poderão fechar os olhos e fingir que não viram? Pois é, eu tenho destes impasses e além disso ainda tenho “sensações”, pressentimentos ou lá o que lhe queiram chamar... E em geral, quando tenho dúvidas sobre algo ou alguém e as sinto quase como certezas, é raro descobrir que estava enganada. Não sei se são os pressentimentos que são bons ou a tal certeza que sinto faz as coisas acontecer, o facto é que, posto isto, tenho sempre algum receio de me dedicar às minhas “investigações”.

À parte o facto das verdades muitas vezes nos magoarem, não sou de me ficar à espera do ontem... O medo nunca me impediu e desta não seria diferente. Não sou do tipo “antes uma mentira piedosa que uma verdade que dói”, pelo contrário... Gosto de saber sempre a verdade e detesto que julguem que me podem “comer por parva” (hoje estou muito Margarida Rebelo Pinto e muito pouco Bridget, perdoem-me os leitores).

Para aqueles que possam já estar em ânsias a pensar que está implícita uma critica aos homens (ou “ao” homem), podem acalmar os vossos corações. O casamento está aí à porta e não há tempestade que o abale. E também não está aqui uma crítica às amigas que habitualmente por aqui passam (as que comentam ou que não comentam), nada disso. Existem tantas outras coisas que preenchem a nossa vida, o nosso dia-a-dia agitado. Há tantas coisas que nos fazem correr, perder tempo precioso que poderíamos gastar com pessoas de quem gostamos ou a fazer coisas que nos fazem sentir de bem com a vida... Mas não, a sociedade impele-nos a viver na correria, a desenvolver espíritos capitalistas, a despertar necessidades não tão essenciais quanto isso... Todas as pessoas mudam com a vida, com o passar dos anos e, em geral, isso é bom. Em regra é sinal de que amadureceram, que se tornaram melhores pessoas... Outras não. E depois há pessoa que conseguem ser completamente diferentes nos diversos cenários em que actuam e isto é ainda mais chocante. A ideia de que podemos conhecer como a nós mesmos alguém com que lidamos à anos e que essa mesma pessoa, perante situações distintas pode ser outra, totalmente diferente... não é chocante, é assustador e deixa-nos um pouco perdidos...

Será que já não se usa ser frontal, directo, correcto e transparente com todas as pessoas e não apenas com quem interessa ou quando interessa?

Será que há valores que passaram de moda?

Será que nos dias que correm temos sempre que manter ambos os pés atrás, com todas as pessoas?

Talvez esteja a ser dura demais. Talvez as coisas não possam ser tão lineares, tão “a preto e branco”. Talvez eu esteja errada e demode. Não sei! A única coisa de que estou certa é que descobri algo que me desiludiu e que vou ter que fazer alguma coisa. Provavelmente serei a única prejudicada mas prefiro deparar-me com uma página em branco e reescrever tudo, do que tentar apagar o que sempre ficará “esborratado”... Porque simplesmente há sapos que não consigo engolir!

Agradeço as vossas opiniões... O que fariam se se deparassem com uma descoberta que, não sendo directamente convosco, influência a vossa vida e demonstra uma enorme falta de consideração por vós? O que fariam se uma tomada de posição, um “eu sei e não me vou calar”, um “basta, estou farta”, implicasse mudarem a vossa vida e a forma como ela está estruturada? O que fariam?

Beijos, kel.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Baby steps…

Não existe tal coisa como “a pessoa certa” nem fórmulas secretas para a felicidade. Não existe o momento ideal ou o local perfeito. Não existem príncipes encantados nem princesas adormecidas. Existe o hoje, o momento presente, o agora... e embora as nossas escolhas se fundamentem, frequentemente, em experiências passadas, não podemos viver do passado nem prever o futuro. Tudo o que podemos fazer é viver cada dia o melhor que conseguimos e sabemos. Não é possível saber se todas as nossas escolhas são as correctas, nem se todas elas vão ter as consequências (ou a ausência destas) esperadas mas também não podemos deixar de arriscar viver. Cada mágoa do passado é um tijolo a mais num muro imenso que, ao longo dos anos, vamos construindo à nossa volta. Um muro que pode ficar de tal forma elevado que um dia acordamos e já não vemos nada além dele. Nada além de cada um dos tijolos, de cada uma das mágoas que fazem parte do nosso passado. Os muros construídos pela nossa imaginação e pelos nossos medos são construções sólidas, que não se abalam com qualquer sismo, com qualquer sorriso, com qualquer olhar. E à medida que estes muros vão tomando forma, nós vamos tendo cada vez mais dificuldade em nos relacionar com os outros, em ouvi-los sem duvidar, dar sem nada esperar, vamos tendo maior dificuldade em confiar, em nos entregarmos sem receios nem culpas, vamos tendo cada vez mais dificuldade em não ter medo. Porquê que se aprende mais facilmente em criança do que em adulto? A andar de bicicleta, por exemplo? Porque as crianças não têm medo. Porque não têm as experiências passadas, porque ainda não caíram vezes suficientes para saber que se podem magoar.

Eu já tive medo de cair e mais ainda de fazer cair. A partir de certa altura na vida percebi que cada queda doía mais que a anterior e comecei a não tentar fazer equilibrismo, a não andar por caminhos demasiado acidentados, por locais escuros. A certa altura percebi que por vezes também eu, sem querer, fazia cair outras pessoas e percebi que também elas – como eu – se magoavam... e, entre o medo de escorregar e o receio de passar rasteiras – ainda que involuntariamente – deixei de andar. Fiquei quieta, à espera que a vida passasse por mim sem que nenhum acidente se pudesse dar.

Era assim que estava quando alguém me fez ver que eu não podia simplesmente ficar à espera que os dias passassem em branco e me mostrou que existem pessoas que não tentar empurrar-nos, apenas querem ficar por perto para evitar as nossas quedas. E que, algumas vezes, eu poderia faze-lo cair mas ele saberia que não teria sido propositado e estava disposto a correr esse risco porque, também ele, queria viver sem medo.

Não sei se esta é a estrada que deveria ter seguido mas sei que neste percurso estou segura. Sei que se cair vou ter alguém que me ampara a queda e que se esticar o pé e tropeçarem nele, vão saber que apenas o fiz no momento errado e com o intuito de fazer mal. Sei que já não estou sozinha, que me conhecem como sou e embora valorizem mais as minhas qualidades, reconhecem alguns defeitos e sinto-me segura. Não sei se existiriam outros atalhos, se poderia ter experimentado outras sensações mas chega um momento em que temos que escolher entre a permanente incerteza e a paz de espírito... Eu escolhi viver sem pensar demasiado no futuro e aproveitar aquilo que posso ter em cada momento, porque nunca se sabe se vivemos mais um dia, uma semana, um ano ou muitas décadas... Se morrermos de velhice teremos todo o tempo para repensar todas as escolhas mas se um dia, sem aviso prévio, desaparecermos, iremos com a certeza de que fizemos o melhor que sabíamos e conseguimos.

A vida é mesmo assim, um livro aberto sem final escrito e que a cada página nos pode surpreender com novos desenvolvimentos e em que qualquer capítulo pode ser o último.