quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quando o céu ganha Estrelas Vivas…

Às vezes a vida passa e nós não damos por ela. Todos os dias há pessoas que nascem e outras que morrem… Noticiam-se os acidentes rodoviários, as catástrofes naturais, as guerras e os ataques terroristas… Pouco se falam das coisas boas que vão acontecendo pelo mundo fora… E aprendemos – talvez por estas razões – a só parar perante o infortúnio. É nos momentos de perda que fazemos a retrospectiva das nossas vidas, que nos damos conta do que deixamos escapar, dos momentos felizes que vivemos, dos planos que temos, de tudo o que nos faz sorrir e chorar… Daquilo que é a nossa vida, daquilo que ela poderá ser, das transformações que pode sofrer perante a perda…
É difícil ver partir alguém de quem gostamos ou mesmo alguém que apenas conhecemos ou ouvimos falar… a morte é sempre um tema difícil, não sabemos lidar com ela, não a encaramos como uma das fases da vida e sim como um fim… Acho que é isto que torna tudo mais difícil.
A saudade que sentimos de alguém que já não está cá é infinitamente grande e imediata, pelo simples facto de sabermos que não vamos voltar a ver essa pessoa.
Na verdade, a morte é um processo da vida… Seria mais fácil de entender se todos morressem de velhice (ou talvez não) mas a natureza ou o destino impelem-nos muitas vezes para realidades mais cruéis… Temos que, a cada dia, saber aproveitar o que a vida nos oferece, cada momento, cada pessoa que cruza o nosso caminho, cada gargalhada, cada sorriso, cada lágrima, cada nascer do sol, cada pôr-do-sol, cada luar… Cada sopro de vida tem que ser inspirado como se fosse o último e, talvez, se tivermos esta capacidade, não fiquemos tão tristes e perdidos quando somos confrontados com a essa derradeira etapa…

Carpe Diem, sempre!

***
*Rest In Peace Susana*
***

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Compasso desconcertante...

Sobre a cidade um manto negro pontilhado é cenário para as criaturas da noite! Como hienas famintas começam, pouco a pouco, a sair das suas tocas e preparam-se para a caçada. Passeiam-se nas ruas à espera de companhia que as faça ganhar o pão do dia seguinte… Uma vida dura e incompreendida. Neste compasso desconcertante vêem passar outros noctívolos, sem que uns interfiram na actividade de outros. Morcegos bege percorrem as ruas em busca de carne fresca e muitas vezes encontram mas, é ao final das noites que as presas são mais fáceis! Nas jibóias amarelas que se cobrem de publicidade de todo o tipo, circulam transeuntes perdidos com destino marcado, como o homem ao fundo.
A pele de porcelana cobre um conjunto de ossos desalinhados. Sobressaem dois pontos cinzentos, quase brancos, na extremidade superior do seu corpo… pequenos e alheios supõem-se perdidos noutro mundo. Contrasta com a figura, a roupa que veste – tão escura como a noite que o abraça!