quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Às vezes lágrimas não são pesar e saudade não é tristeza…

Chegou aquela altura do ano em que o frio nos gela a ponta do nariz, o vento nos corta a pele e a manta sabe bem. Chegou aquela altura do ano em que apetece estar à lareira, mesmo quando não se tem, em que é bom estar em casa e ver a chuva a bater-nos na janela ou andar na rua quando está sol. Eu gosto de andar na rua quando está sol e frio, sabe-me bem!
Chegou aquela altura do ano em que as recordações se tornam mais fortes, mais presentes no nosso espírito. Em que sentimos saudades de quem partiu, de quem a vida se encarregou de afastar de nós, de quem vemos menos, de quem nos distanciamos ao longo do tempo.
Chegou a altura de dar e receber… Devia ser todo o ano mas como às vezes a vida parece correr demasiado e temos dificuldade em apanhá-la, reservamos a solidariedade, a tolerância, a amizade, o carinho, o carácter para esta quadra.
Eu gosto sobretudo de dar… Gosto de ver a cara das pessoas quando desembrulham aquilo que pensei para elas, com carinho. Gosto que percebam que em cada presente há muito mais do que aquilo que o embrulho contém. Que cada objecto é escolhido com cuidado, visualizando aquela pessoa e não outra qualquer. Não gosto de comprar por comprar, só porque “tenho” que dar alguma coisa mas antes dar coisas que vão agradar ou ser úteis. Posso errar nas escolhas, acontece!
Para mim as prendas não são um fomento ao consumismo. São antes uma forma física de mostrar sentimentos. Como já disse, os embrulhos de Natal contém muito mais que prendas. Neles embrulho também o carinho, o amor, a saudade que tenho das pessoas. São uma forma de dizer “gosto de ti”, "lembro-me de ti”. Gosto de personalizar cada prenda com um postal, fazendo dela algo intransmissível, pessoal. Não um embrulho que posso “reciclar”, passar a outro… Nada disso. Já cheguei a guardar prendas de Natal até Março, por impossibilidade de estar com as pessoas a quem se destinavam. Também já sai de casa na própria noite de consoada para as ir entregar, qual mãe-natal em missão de paz… Confesso que gosto do Natal.
Não deveria ser a única quadra do ano em que os bons sentimentos são exaltados mas é bom que exista pelo menos uma. Devo dizer que também não sou particularmente religiosa… tenho as minhas crenças muito próprias e quanto àquilo que desconheço, respeito. Mas o Natal é uma época bonita, celebre-se o nascimento de Jesus ou cultive-se apenas o bem, o importante é aproveitarmos o momento para refrear da correria em que vivemos, para fazermos chegar ao nosso coração um pouco de paz, de harmonia. Devia ser o ano inteiro mas antes um mês em doze do que nenhum!

Eu gosto do Natal… Fico sempre um pouco nostálgica, com a "lagriminha" no canto do olho por tudo e por quase nada. As saudades de quem já não tenho no meu Natal apertam-me um bocadinho o coração mas felizmente a vida vai-se encarregando de colocar outras no nosso caminho, que nos fazem continuar a sorrir.

Este Natal vai ser diferente para mim… já muitos o foram, uns para melhor outros mais tristonhos… Este marca o inicio de uma nova jornada, de uma responsabilidade acrescida. Foi um ano de mudanças que agora vemos reflectidas… As famílias transforma-se, novas famílias se formam, os costumes adaptam-se e a vida flúi…

Este Natal vai ser diferente e vai ser Bom… Espero que o vosso também…
Feliz Natal…. Sejam felizes, sempre ;)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Numa outra vida sentamo-nos e falamos…

Em todos os momentos da nossa vida há coisas que ficam por dizer e por fazer. Por mais que nos esforcemos para alcançar todas as metas, as 24 horas de cada dia, 365 dias de cada ano, limitam a nossa acção. Mais dias e horas existissem e mais metas seriam traçadas, pelo que é uma característica do Homem estar insatisfeito.

Regra geral só deixo por dizer o tipo de coisas que não acrestam nada ou que podem ferir as pessoas. Tempos houve em que falava antes de pensar e embora isso ainda aconteça, evito. As palavras ditas não podem ser retiradas, não podem apagar-se com uma borracha e não há forma de as fazermos esquecer, por mais que nos venhamos a arrepender. Assim, evito, sempre que consigo pensar antes de abrir a boca, dizer coisas de que me posso vir a arrepender, coisas que são ditas no calor de uma discussão, palavras amargas. Até porque me custa horrores admitir que errei (embora o faça sempre que percebo que assim foi) e como tal, é muito mais fácil não errar.

Não quero com isto parecer arrogante. É óbvio que todas as pessoas falham em algum momento, com os outros e consigo mesmas mas não é isso que está em causa.

Sendo certo que por vezes é melhor estar calado, não o é menos que não nos devemos arrepender daquilo que deixamos de fazer mas antes do que foi feito… Pelo menos desse modo saberemos os motivos do arrependimento em vez de vivermos na dúvida esmagadora, na incerteza, mergulhados em “porquês” e “ses”.

Será que vale a pena pensarmos que todos os problemas se falam e resolvem numa outra vida? Será que é justo para connosco e com os outros acreditarmos que teremos oportunidade de ter no “Além” todas as conversas que ficaram por ter neste mundo terreno que conhecemos?

Imagino que para quem não acredita nestas coisas o meu discurso tenha agora começado a parecer estranho e inadequado mas até para mim, que dou o beneficio da dúvida às questões do oculto e do desconhecido, me parece injusto contarmos com esse “prolongamento” para resolver a “partida”.

É certo que devemos medir algumas palavras mas não devemos adiar todas as conversas para depois só porque são díficeis, só porque temos receio de nos expôr ou de ser expostos. Só porque podemos revelar a existência de sentimentos… Tudo isto é humano e quem sabe se existirá ou não um depois, se haverá algo mais.

Noutra vida sentamo-nos e conversamos… Ou não. E se as palavras que ficam por dizer nos impedirem de viver em paz, de morrer em paz? E se depois das pessoas partirem, as palavras não ditas continuarem na nossa mente, como espada pesada que pende sobre a consciência de quem continua por cá?

Haverá um depois? Haverá um Paraíso, Hades ou qualquer outro local do nosso imaginário? Haverá uma outra vida depois desta? Talvez… Ou talvez não… Mas viver com a dúvida é a pior sensação por isso talvez não valha a pena arriscar.


Pelo sim pelo não, deixo tudo resolvido neste Mundo que conheço.