segunda-feira, 22 de março de 2010

Bom dia Primavera...

O sol brilha lá fora, a temperatura subiu e o céu e os campos ganham novas cores... As flores começam a aparecer aqui e ali, a salpicar de cor o caminho a percorrer. A luz dá-nos uma força renovada e a semana começa bem. Finalmente guardamos o casaco de inverno e tiramos o colorido do roupeiro…

Gosto do frio, de chapéus e de casacos. Gosto de botas, de agasalhos e cachecóis. Gosto do Inverno mas sabe tão bem acordar e ver o sol a brilhar lá fora.

Com alergias ou não, sabe bem a Primavera!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dia do Pai…

Há dias para assinalar ou festejar quase tudo. Alguns fazem parte da nossa infância, outros há que vão surgindo ao longo dos anos, influência de estrangeirismos e afins e que por cá se vão enraizando.

Os dias de tudo e mais alguma coisa servem essencialmente o consumo, que cresce exponencialmente, vejam-se as montras todas prontas e a chamar por nós com corações, ovos de Páscoa, gnomos e árvores… Os exemplos não têm fim. E contra mim falo que seria incapaz de deixar passar em branco um Natal, um dia da Mãe ou um aniversário. Sou incapaz de passar as férias de verão sem ir com os miúdos comprar um mimo à avó e fico cheia de remorsos quando me passa alguma data que, supostamente, seria importante.

E se é verdade que tudo isto é um pouco descabido, que se trata de um negócio e que deveríamos lembrar-nos e agradar às pessoas das nossas vidas, todos os dias do ano, todos os anos, sabemos bem que isso não acontece. O stress, a vida agitada, a falta de tempo, a rotina, os problemas do dia-a-dia e tantos outros factores, impedem-nos de demonstrar tudo, constantemente. E não é verdade que todos gostamos de um mimo? De sentir que se lembraram de nós, no “nosso” dia?! Claro que sim, mesmo que digamos o contrário.

Mas há dias que servem essencialmente para nos fazer recordar, para nos lembrarmos mais intensamente das pessoas, mesmo daquelas a quem já nada podemos dar. O Natal, por exemplo, é a altura do ano em que me invade a maior, a mais intensa, a mais dolorosa das saudades. É o momento em que recordo todos aqueles que fizeram parte da minha infância, da minha vida e que nunca mais se vão sentar à mesa, a comer o bacalhau com couves.

E hoje, no dia 19 de Março, lembro-me de quem durante muito tempo não recebeu prenda, porque estava longe, não apenas em geografia mas distante de todas as formas. Lembro-me que hoje gostaria de poder telefonar-lhe e dizer que gosto muito dele e que sinto a sua falta. Que o passado ficou lá atrás e que todos temos o direito de errar e de nos arrepender. Mas sobretudo todos o dever de perdoar. Já não posso dar-lhe prendas mas posso dar-lhe o meu pensamento… E, hoje, o meu pensamento está no céu cinzento, com quem não vai receber uma prenda mas vive no meu coração.

Feliz dia a todos os pais.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Uma história...

Recordo o seu sorriso alegre e caloroso. Nunca poderei esquecer o seu rosto delicado e pálido, o som dos seus sapatos pisando firme o chão e a sua postura irrepreensível: As costas sempre muito direitas e os olhos no horizonte, devorando o mar.

O seu nome, simples e despretensioso, fazia lembrar um campo em flor, transportando-nos para sonhos antigos, outrora esquecidos. Sonhos da nossa infância, brincadeiras de criança que nos parecem hoje tão longe e desvanecidos.

As mãos esguias, de unhas impecáveis, as pernas longas e magras que fazia questão de mostrar em cima de saltos translúcidos, capazes de desafiar a gravidade.

Os cabelos longos com as ondas do mar a passearem-se por toda a parte, rebelde como ela, claro como o sol que lhe queimava a pele.

Nada no seu aspecto parecia deixado ao acaso, quando a observávamos e, no entanto, encerrava em si a leveza de uma manhã de Primavera, ainda fresca. Aquelas manhãs em que o sol espreita bem cedo, ainda antes do cantar do galo, mas podemos ver as gotas de orvalho nas folhas, verdes e luzidias.

Na verdade, nada em si era fabricado, ela era assim, uma brisa fresca, um nascer do sol, um voo de andorinha que ele observava todas as manhãs, religiosamente, sentado no lado direito da cama.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

10 coisas que não me saem da cabeça...

Resolvi agarrar o desafio lançado por "Dos Meus Saltos Altos" e, partilhar convosco, 10 coisas que não me saem da cabeça (pelo menos, de momento):

1 – Que o tempo de que dispomos não é ilimitado. Não somos imortais;


2 - Que estou feliz por ter iniciado um novo ano e nunca a expressão "ano novo, vida nova" fez mais sentido;

3 - Os cafés que tenho em "dívida" e que anseio ver acontecer;

4 – Que as pessoas de quem gostamos “partem” sempre cedo demais;

5 - Que já ia de férias outra vez, desta vez para a Europa… e quem sabe ficar por lá;

6 – Que tenho saudades de algumas pessoas que, por uma ou outra razão, foram ficando cada vez mais distantes;

7 - Que o deixa andar não nos leva a nada e temos que lutar com garra por tudo aquilo que queremos alcançar;

8 – O livro que quero escrever;

9 - Que devia frequentar sítios diferentes e conhecer pessoas novas;

10 – O meu desejo de ano novo (sim, foi só um!).

Parece que deveria passar o desafio a 10 blogues mas, tal como a Saltos, deixo que o agarrem todos os que se sentirem motivados a esta partilha! Vão gostar...

Beijocas e boa semana*

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Respeito, Civismo… Humanidade

Numa manhã de Inverno conduzo por entre as gotas de chuva. Ao chegar, uma sala repleta de gente que lê, fala e espera. Também eu procuro um lugar vago para aguardar, pacientemente, até ouvir o meu nome.

A sala, cinzenta, sem ar condicionado ligado e com lotação muito superior ao desejável, nada tem que conforte ou acalme. Passaram já três horas e quarenta minutos e nada… estou a ponto de explodir mas permaneço no meu lugar, irrequieta, expectante e a interrogar-me como terá a Humanidade chegado a este ponto? Será que nos resta ainda alguma humanidade? Qual o conceito de respeito e de espaço para o século XXI?

É normal fazer barulho em salas de espera, é normal julgar normal que as crianças gritem, exijam e quase batam nos pais, é normal que incomodem as demais pessoas, abalrroando-as, subindo cadeiras, é normal que nos façam desocupar a cadeira ao nosso lado para não se sentarem dois lugares a seguir porque, imagine-se… vão colocar as suas próprias coisas em lugar das nossas. É normal que os médicos marquem uma hora quando pretendiam dizer quatro horas depois, é normal chegar atraso sem aviso prévio, é normal ir para locais públicos sem banho tomado ou espreitar sobre o ombro do outro… E aqui sentada, ainda à espera, interrogo-me: onde é que perdemos a noção de espaço e de respeito? Em que momento da História ficámos entregues ao egoísmo alheio?

O meu pai tinha uma frase que ouvi muitas vezes na minha infância e nunca me abandonou: “A tua liberdade acaba onde começa a liberdade do outro”… Nunca esta frase fez mais sentido!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Palavra de ordem - Renovação

Este fim de ano foi diferente… Reataram-se laços há muito perdidos e soube bem. Todas as passagens de ano, pelos menos nos últimos dez anos, têm sido diferentes para mim. Umas mais solitárias, outras mais familiares, umas de introspecção, outras de completa loucura… Todas diferentes, todas especiais, todas me ensinaram algo. Umas para repetir, outras talvez não. Sem fugir à regra (que não o sendo, acaba por marcar tradição – a diferença) esta passagem de ano foi como um regressar no tempo muitos anos atrás e ouvir as doze badaladas, com direito a foguetes do chinês e tudo, na companhia de pessoas com quem algumas vezes partilhei a minha infância mas que, a certa altura do percurso, deixei de ver.

Momentos de difíceis aconteceram nas suas vidas e eu, caçula, não tinha a maturidade para os apoiar ou sequer idade para perceber o que se estava a passar (embora me lembre do preciso momento em que aconteceu, de forma descontextualizada, fragmentada mas presente). Ao longo dos anos, também na minha vida foram acontecendo coisas menos felizes, que nos abalaram, que nos fizeram focar mais noutros pontos. Por uma ou por várias razões o tempo encarregou-se de nos afastar e agora, tantos, tantos anos mais tarde, de nos reunir.

Foi um passar de ano com gostinho especial de calor humano e esperança no futuro. Foi como um colar de passado e futuro que nos faz acreditar que tudo é possível e que, realmente, as pessoas são importantes para nós, que realmente gostamos delas e de que a vida vale a pena quando partilhada.

Neste ano vou mudar tudo aquilo que quero e sei que posso mudar. Este ano vai ser melhor e mais doce, vai ser de luta e de vitórias, de reencontros e talvez de algumas rupturas… Porque sem elas não há renovação, porque todos os dias crescemos mas não o fazemos todos ao mesmo ritmo. Às vezes é preciso aceitar isso e esperar que nos encontremos, algures, mais à frente no nosso percurso, quando voltarmos a estar ao mesmo ritmo, como aconteceu comigo neste passar de ano. Este ano vai ser melhor porque eu vou fazê-lo melhor, espero que vocês também! Sejam felizes em 2010!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Paz, Amor e Frio :)

Espero que o vosso Natal tenha sido docinho, como o meu e que continuem a disfrutar desta época de festa, da melhor maneira.

Que o calor do vosso coração possa proteger-vos do frio que faz lá fora!

Feliz Ano Novo*

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Época de Amor ou de consumo?!

Está frio e já cheira a Natal. Já abri a época da manta e do chá e cá em casa “O Natal” chegou ontem! Acho que nunca tinha feito a Árvore de Natal tão cedo mas este ano apeteceu-me… Assim como me apetece redecorar a casa, mudar de visual, andar na rua com o vento a bater-me na cara e sentir a chuva. Para muitos é apenas uma estação que “tem que ser”, chata e triste, para mim é uma época de renovação. Imagino os lagos e os rios que vão finalmente voltar a encher-se de vida, as culturas que vão receber água e todas as outras coisas a que esta estação faz falta.

O que ainda não me apeteceu fazer foram compras! Algo estranho em mim mas a realidade é que não me apetece andar pelo centro comercial apinhado de gente que se diz sem poder de compra mas não não sai de lá. Não me apetece a hipocrisia, as aparências, o faz de conta.

Esta é cada vez mais uma época de consumo, mais do que de partilha de sentimentos e, claro, todos fazemos parte disso. Mas nunca faço do meu Natal apenas um acto consumista. Sim, dou prendas mas não apenas porque sim. Penso cuidadosamente naquilo que fará sorrir cada pessoa, independentemente do valor material do que se dá e é essa a escolha que faço… Dar o que faz sorrir e não o que é mais valioso. Porque é disso que se trata, ou não? Será que numa sociedade de consumo o dinheiro também pode comprar o Natal, o amor? Ou será que andamos apenas demasido ocupados para dar amor?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Reset… And restart…

Um novo dia começa. Mais do que um novo dia, um novo mês, uma nova era… Gosto de chegar ao fim do romance com a mesma voracidade com que iniciei a leitura. Gosto de percorrer cada página faminta por mais história, ansiosa pela intriga seguinte, vestindo cada personagem. Assim se vira esta página de vida, com a sede de novos desafios, antecipando um recomeço… não… um começo novinho em folha.

Agora começo a escrever a minha nova história e tudo é possível…

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Memórias que a chuva levou…

Finalmente caem as primeiras chuvas e no chão as primeiras folhas. Cheira ao frio que aí vem e a mudança. Sorri ao ver que o Outono tinha chegado, para me fazer sentir que a natureza se renova, se reinventa e muda de capa, assim como nós. O calor que se tem feito sentir está fora de compasso e a água é precisa para que a vida flua e, por isso, tive saudades do Outono.

É tempo de recomeços em toda a parte e para todas as espécies e, por vezes, o melhor incentivo é a percepção de que estamos em sintonia com o Universo que se atrasa quando precisamos de mais tempo e volta à rota quando a encontramos.

As folhas caídas, como páginas viradas, antecederam os dias de chuva que inundam as ruas e a alma, como uma lufada de ar fresco. Respiro fundo na tentativa de absorver cada minuto desta nova estação. O cheiro a árvores e a terra molhada invade-me os pulmões e deixa em mim uma sensação de paz. O Outono chegou no momento certo, varrendo o passado e deixando antever o futuro que está mesmo, mesmo aí à porta.

Hoje apetece-me deixar que a chuva molhe cara, corpo e mente, levando com ela, rua abaixo, tudo o que já não importa, tudo o que ficou para trás.