terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Desafio...

Aqui estou eu a responder ao desafio lançado pelo Carlos Rangel. Não sou muito de fazer resoluções, normalmente quando penso fazer ou mudar algo, faço sem sequer falar muito sobre o assunto. Mas depois de ver o post do Carlos sobre o assunto achei interessante e percebi que de facto existem resoluções bem mais difíceis de realizar e menos lembradas ao longo do ano.

E posto isto, vou escrever aqui as minhas 8 resoluções para 2009, na tentativa de que estas se tornem realidade e não apenas frases soltas sem significado.

As regras do desafio são:

1) Escrever a lista dos 8 sonhos ou coisas que se deseje fazer;
2) Convidar 8 bloggers a responder ao desafio;
3) Comentar no blog de quem partiu o convite;
4) Comentar no blog de quem convidámos;
5) Mencionar as regras aos desafiados.


E os meus desejos para este ano são:

1 - Ser uma pessoa melhor (desejo permanente, constante, de sempre e para sempre...);
2 - Ser ainda mais persistente na persecução dos meus sonhos, não deixar que morram na praia, não desistir de nada por força das adversidades, lutar sempre, por tudo o que importa;
3 - Ser mais amiga e mais presente na vida dos meus amigos, familia, daqueles que amo, não permitindo que o stress e a vida agitada me afastem tão frequentemente destes;
4 - Amar muitíssimo (as pessoas que me amam e todas as pequenas coisas boas da vida);
5 - Não me deixar afectar por coisas que, na realidade, não importam assim tanto;
6 - Fazer apenas coisas que me façam sentir bem comigo e com os outros;
7 - Passear, viajar, conhecer, ler... mais;
8 - Dar mais atenção a este Blog e aos Blogs que me visitam e que eu gosto de ler;
(Eram 8 mas vou ultrapassar só um bocadinho...)
9 - Ser feliz... Com tudo o que isso implique fazer, desejar, lutar e conseguir!

E aqui estão os meus desejos que espero realizar, senão todos, o maior número possível.

A quem passo este desafio... (por ordem totalmente aleatória)
Carlos, não te desafio a ti porque imagino que arranjar mais resoluções não fosse tarefa fácil ;)

O desafio é engraçado e vão ver que depois de começarem a escrever, 8 desejos vão parecer um número muito limitado. Espero que gostem boa escrita!

Uma beijoca grande para todos e sejam felizes!


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

“The winner takes it all”

Na vida de todos os dias, nas rotinas, nas relações, no sexo, no emprego, existirão vencedores e vencidos? E como podemos determiná-los? O que faz de uma pessoa comum um vencedor? Serão as conquistas palpáveis, aquilo que podemos ver? Ou será a realização pessoal, o que sentimos, o que guardamos só para nós? E haverá mais que um papel por pessoa ou desempenhamos sempre o mesmo? Sendo vencedores, poderemos ser destronados em qualquer altura ou os lugares são cativos?

Para mim vencer é sentir-me feliz, é ter coragem para continuar mesmo depois da batalha que se perde, é continuar a sorrir quando a vida nos faz chorar. Para mim o que nos faz vencedores é aquilo que somos enquanto pessoas, o que guardamos no coração, a matéria de que somos feitos. Para mim os papeis alteram-se constantemente mas não há vencidos, a menos que desistam de viver. Mas podemos ser vencedores, das nossas lutas interiores ou de qualquer outra batalha que nos proponhamos. Mesmo quando uma batalha se perde não somos vencidos porque a guerra continua para além dos pequenos conflitos. O importante é como os enfrentamos, como sobrevivemos a eles e o que fazemos com cada novo dia.
The Winner Takes It All… Neste novo ano eu quero ser vencedora de mais 365 batalhas que já começaram e estão para durar. Este ano quero um recomeço para mim e para o meu pequeno mundo. Quero continuar a sorrir, mesmo quando os motivos não pareçam existir e quero ver os meus sonhos em prática. Este ano quero tudo o que ainda não vivi mas sem pressas. Este ano quero vive-lo como se não houvesse outro com a certeza, porém, de que muitos mais virão.

Não são resoluções de um novo ano mas antes o sonho de uma vida que precisa ser alimentado, regado, cuidado. Apenas o sonho de muitas vidas, de todas as vidas… Ser feliz e não deixar nada por fazer! Um dia, quando olhar para trás, num fim de ano qualquer, quando parar para pensar na vida passada, quero sorrir com ternura e dizer confiante que tudo foi como devia ter sido, no momento em que devia ter sido. Contratempos… Todos enfrentamos alguns. Desilusões, perdas, saudades, tristezas… o chão que tantas vezes nos foge debaixo dos pés, o céu que não menos frequentemente parece desabar sobre as nossas cabeças, a certeza de que fizemos tudo certo mas tudo corre mal… Todos já experimentamos esses sentimentos e sei, com certeza, que voltarei a experiência-los. Tudo isso importa menos se conseguirmos medir a importância da nossa existência, se pensarmos que temos apenas uma oportunidade para viver bem e que a passagem é curta, rápida.

Este ano não quero sentimentos mesquinhos, invejas, dúvidas existênciais ou hipocrisias… Quero cultivar as amizades verdadeiras, esforçar-me para ser menos desprendida e despreocupada, quero amar muito, quero rir muito, quero sentir o sol todos os dias que ele apareça, quero andar à chuva e atirar bolas de neve, quero dar mergulhos e ver corais, quero enterrar os pés na areia e andar nas nuvens… Este ano eu quero, eu quero, eu quero… Tudo porque eu sou uma optimista e já só faltam 357 batalhas para enfrentar e vencer ;)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Às vezes lágrimas não são pesar e saudade não é tristeza…

Chegou aquela altura do ano em que o frio nos gela a ponta do nariz, o vento nos corta a pele e a manta sabe bem. Chegou aquela altura do ano em que apetece estar à lareira, mesmo quando não se tem, em que é bom estar em casa e ver a chuva a bater-nos na janela ou andar na rua quando está sol. Eu gosto de andar na rua quando está sol e frio, sabe-me bem!
Chegou aquela altura do ano em que as recordações se tornam mais fortes, mais presentes no nosso espírito. Em que sentimos saudades de quem partiu, de quem a vida se encarregou de afastar de nós, de quem vemos menos, de quem nos distanciamos ao longo do tempo.
Chegou a altura de dar e receber… Devia ser todo o ano mas como às vezes a vida parece correr demasiado e temos dificuldade em apanhá-la, reservamos a solidariedade, a tolerância, a amizade, o carinho, o carácter para esta quadra.
Eu gosto sobretudo de dar… Gosto de ver a cara das pessoas quando desembrulham aquilo que pensei para elas, com carinho. Gosto que percebam que em cada presente há muito mais do que aquilo que o embrulho contém. Que cada objecto é escolhido com cuidado, visualizando aquela pessoa e não outra qualquer. Não gosto de comprar por comprar, só porque “tenho” que dar alguma coisa mas antes dar coisas que vão agradar ou ser úteis. Posso errar nas escolhas, acontece!
Para mim as prendas não são um fomento ao consumismo. São antes uma forma física de mostrar sentimentos. Como já disse, os embrulhos de Natal contém muito mais que prendas. Neles embrulho também o carinho, o amor, a saudade que tenho das pessoas. São uma forma de dizer “gosto de ti”, "lembro-me de ti”. Gosto de personalizar cada prenda com um postal, fazendo dela algo intransmissível, pessoal. Não um embrulho que posso “reciclar”, passar a outro… Nada disso. Já cheguei a guardar prendas de Natal até Março, por impossibilidade de estar com as pessoas a quem se destinavam. Também já sai de casa na própria noite de consoada para as ir entregar, qual mãe-natal em missão de paz… Confesso que gosto do Natal.
Não deveria ser a única quadra do ano em que os bons sentimentos são exaltados mas é bom que exista pelo menos uma. Devo dizer que também não sou particularmente religiosa… tenho as minhas crenças muito próprias e quanto àquilo que desconheço, respeito. Mas o Natal é uma época bonita, celebre-se o nascimento de Jesus ou cultive-se apenas o bem, o importante é aproveitarmos o momento para refrear da correria em que vivemos, para fazermos chegar ao nosso coração um pouco de paz, de harmonia. Devia ser o ano inteiro mas antes um mês em doze do que nenhum!

Eu gosto do Natal… Fico sempre um pouco nostálgica, com a "lagriminha" no canto do olho por tudo e por quase nada. As saudades de quem já não tenho no meu Natal apertam-me um bocadinho o coração mas felizmente a vida vai-se encarregando de colocar outras no nosso caminho, que nos fazem continuar a sorrir.

Este Natal vai ser diferente para mim… já muitos o foram, uns para melhor outros mais tristonhos… Este marca o inicio de uma nova jornada, de uma responsabilidade acrescida. Foi um ano de mudanças que agora vemos reflectidas… As famílias transforma-se, novas famílias se formam, os costumes adaptam-se e a vida flúi…

Este Natal vai ser diferente e vai ser Bom… Espero que o vosso também…
Feliz Natal…. Sejam felizes, sempre ;)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Numa outra vida sentamo-nos e falamos…

Em todos os momentos da nossa vida há coisas que ficam por dizer e por fazer. Por mais que nos esforcemos para alcançar todas as metas, as 24 horas de cada dia, 365 dias de cada ano, limitam a nossa acção. Mais dias e horas existissem e mais metas seriam traçadas, pelo que é uma característica do Homem estar insatisfeito.

Regra geral só deixo por dizer o tipo de coisas que não acrestam nada ou que podem ferir as pessoas. Tempos houve em que falava antes de pensar e embora isso ainda aconteça, evito. As palavras ditas não podem ser retiradas, não podem apagar-se com uma borracha e não há forma de as fazermos esquecer, por mais que nos venhamos a arrepender. Assim, evito, sempre que consigo pensar antes de abrir a boca, dizer coisas de que me posso vir a arrepender, coisas que são ditas no calor de uma discussão, palavras amargas. Até porque me custa horrores admitir que errei (embora o faça sempre que percebo que assim foi) e como tal, é muito mais fácil não errar.

Não quero com isto parecer arrogante. É óbvio que todas as pessoas falham em algum momento, com os outros e consigo mesmas mas não é isso que está em causa.

Sendo certo que por vezes é melhor estar calado, não o é menos que não nos devemos arrepender daquilo que deixamos de fazer mas antes do que foi feito… Pelo menos desse modo saberemos os motivos do arrependimento em vez de vivermos na dúvida esmagadora, na incerteza, mergulhados em “porquês” e “ses”.

Será que vale a pena pensarmos que todos os problemas se falam e resolvem numa outra vida? Será que é justo para connosco e com os outros acreditarmos que teremos oportunidade de ter no “Além” todas as conversas que ficaram por ter neste mundo terreno que conhecemos?

Imagino que para quem não acredita nestas coisas o meu discurso tenha agora começado a parecer estranho e inadequado mas até para mim, que dou o beneficio da dúvida às questões do oculto e do desconhecido, me parece injusto contarmos com esse “prolongamento” para resolver a “partida”.

É certo que devemos medir algumas palavras mas não devemos adiar todas as conversas para depois só porque são díficeis, só porque temos receio de nos expôr ou de ser expostos. Só porque podemos revelar a existência de sentimentos… Tudo isto é humano e quem sabe se existirá ou não um depois, se haverá algo mais.

Noutra vida sentamo-nos e conversamos… Ou não. E se as palavras que ficam por dizer nos impedirem de viver em paz, de morrer em paz? E se depois das pessoas partirem, as palavras não ditas continuarem na nossa mente, como espada pesada que pende sobre a consciência de quem continua por cá?

Haverá um depois? Haverá um Paraíso, Hades ou qualquer outro local do nosso imaginário? Haverá uma outra vida depois desta? Talvez… Ou talvez não… Mas viver com a dúvida é a pior sensação por isso talvez não valha a pena arriscar.


Pelo sim pelo não, deixo tudo resolvido neste Mundo que conheço.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

É bom provocar sorrisos...

É bom fazer os outros felizes e não é preciso nenhum motivo em especial para o fazer. Às vezes existem situações que potenciam essa felicidade mas na maioria dos casos apenas se faz, porque sim! E se desde sempre nos ensinam que “porque sim” não é resposta, neste caso é mesmo “A” única resposta.

Existem pessoas, em toda a parte, de todas as cores, formatos e feitios, que se regozijam com o mal alheio e isto é algo que me deixa perplexa, pois não consigo encontrar em tais sentimentos qualquer fonte de proveito.

Fazer ou desejar mal a outro ser… Como pode tal coisa fazer-nos felizes?

Eu fico feliz quando consigo ajudar alguém a sorrir, quando sou capaz de levantar a auto-estima de um amigo, quando faço uma surpresa a outra pessoa e recebo em troca um sorriso sincero… Feliz!

Todos os dias lidamos com situações menos favoráveis, por vezes temos que transmitir às pessoas noticias que as deixam menos bem… Isto faz parte do dia-a-dia, do trabalho de cada um… Mas na nossa vida pessoal, não podemos fazer das outras pessoas escadas para o sucesso, nem desejar-lhes mal só porque sim, apenas porque faz ou tem alguma coisa melhor e isso não pode ser… Claro que pode ser e ainda bem que é. Só temos que lutar para conseguir igual, se é isso que queremos. O pior é mesmo quando nem queremos nada, apenas não queremos que os outros tenham ou façam ou vivam…

Enfim… Nada mais é que um desabafo, este texto. Um desabafo sobre a selva do dia-a-dia neste Universo cada vez mais feroz e menos civilizado. Uma divagação sobre o ser humano deste século e dos sentimentos que vem na sequência de uma surpresa que fiz, recentemente, a uma pessoa muito querida.

É bom provocar sorrisos de felicidade…

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Obrigada Umbigo*

Depois de mais de um aninho de existência e de muitas palavras, pensamentos, considerações e afins debitadas, heis que a "Alegria" é premiada.

Pois é, recebe o prémio Dardos, atribuido pelo "Meu Umbigo" e que me deixa muito orgulhosa.



E a recepção deste prémio dita que:
"O Prémio Dardos reconhece o valor de cada blogger ao transmitir valores culturais, éticos, literários ou pessoais e que de alguma forma demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto naquilo que escrevem. Por outro lado, esta é também uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web."

"Quem recebe o Prémio Dardos e o aceita deve seguir algumas regras:
1 - Exibir a imagem; 2 - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio; 3 - Escolher quinze outros blogs aos quais entregar o Prémio Dardos."
Agradeço à Pips e Fifs este miminho, pois sabe muito bem o reconhecimento dos amigos que nos lêem. É bom perceber que conseguimos transmitir algo de positivo e enriquecedor... Obrigada pelos "Dardos" e por me lerem.

Não conseguirei eleger quinze premiados porque não sou uma Blogger tão assídua quanto gostaria mas vou nomear aqueles que espreito com maior regularidade, que me dizem algo e que posso, com sinceridade e certeza, aqui referir...



Os Troilius - http://troiliu.blogspot.com/

Eu e o Meu Umbigo - http://eueomeumbigo.blogspot.com/ (e não apenas em retribuição!)

Carlos Rangel - http://cassurdio.blogspot.com/

Orfeu Enamorado - http://orfeuenamorado.blogspot.com/

Relax Live Life - http://relaxlivelife.blogspot.com/

Existências Momentâneas - http://existenciasmomentaneas.blogspot.com/



Uma beijoca a todos e continuem a escrever, sempre mais e melhor!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

I'm so proud.... (*)

Quando criei este Blog, disse a todos e a mim mesma que só seriam aqui publicados textos da minha autoria. Porque gosto de escrever, porque a escrita me liberta e me faz bem. É um espaço meu, não partilhado... Enquanto estou a escrever, estou num mundo privado. Claro que para isso não preciso de um Blog, poderia fazê-lo apenas para mim e guardá-lo. Mas passado esse momento a sós comigo, gosto de o partilhar, gosto que me leiam e opinem. As criticas ajudam-nos a evoluir, a querer mais, a ser mais exigentes connosco.

Contudo, há uns dias recebi um texto que me deixou sem palavras, que não sendo meu, o senti como uma parte de mim... Fiquei a olhar para o ecrã, de lágrimas nos olhos e sem palavras. Não é um texto triste, nada disso. Mas fiquei tão orgulhosa que toda a emoção quis sair olhos fora, já que a boca estava muda...


"Um caracol diferente

Como todas as histórias começam, era uma vez, um caracol chamado Joca que era muito diferente dos outros caracóis.

Joca tinha várias qualidades tais como: era um grande poeta, sabia andar de skate, tocava saxofone, sabia falar cinco línguas…
Ele era considerado o mestre da Caracolândia, sim, é claro que com aquela inteligência toda ele era professor de educação física, de língua portuguesa, de música e de matemática.
O caracol tinha uma família muito grande, composta por oito membros que eram: o pai TSF, a mãe rádio Comercial, o irmão RFM e a irmã Mega FM, os avós M80 e os tios Cidade FM.
Certo dia, no intervalo dos alunos de Joca, um dos alunos tinha sido capturado pelo malvado, Imperador Gafanhoto. Estavam todos muito preocupados com o pobre caracol, então uniram-se e foram à sua procura.
Eles percorreram riachos a surfar em folhas, treparam por pedras gigantes, enfrentaram lagartas, vespas…
Quando chegaram à Gafanhotãndia, viram centenas de insectos presos em gaiolas de paus! Ai ainda ficaram mais assustados, mas não perderam a coragem. A chave das gaiolas estava com o Imperador Gafanhoto, então Joca decidiu que ele é que o iria enfrentar. Os outros caracóis combateram com os outros gafanhotos. Vocês deviam ver: eram antenas para ali, ranho para acolá…
O combate já tinha acabado, e os caracóis tinham ganho! Joca tinha vencido o Imperador Gafanhoto com o seu golpe especial de KungFu.
Mal acabou aquela confusão, Joca pegou nas chaves e foi libertar todos os insectos, e o seu aluno caracol.
A partir desse dia, tudo voltou ao normal e todos os insectos ficaram em paz."

O Ricardo é o meu sobrinho mais velho e tem apenas 9 anos. O tema não lhe foi proposto pela professora nem sequer foi um trabalho da escola. Ele escreveu-o porque lhe apeteceu escrever e é tudo fruto da sua imaginação.
Se calhar para qualquer pessoa parecerá um texto comum mas para mim é um sinal de que o meu piolho está crescido e gosta de coisas que eu gosto... Deixou-me orgulhosa e sem palavras, pela qualidade do texto, pela farta imaginação, por tudo e por mais qualquer coisa que não consigo ainda exprimir. Mas se calhar sou suspeita para fazer essas considerações...

Obrigada por me deixarem partilhar este momento convosco :) Bom Dia Alegria!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mudanças…

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades… Podia começar assim, ainda que a frase pareça um pouco batida.

Mudam-se as vontades, a vida, muda-se de casa e, por vezes de amigos. Não é que os amigos se troquem uns pelos outros mas as mudanças fazem, por vezes, com que nos aproximemos de uns e nos afastemos de outros. Os amigos verdadeiros permanecem, mesmo que longe da vista.

Há pessoas que não encaram bem a mudança, custa-lhes perceber que a vida é, de facto, um organismo vivo. Parece que me estou a repetir mas não há outro modo de o dizer. Como organismo vivo que é, não pode ser estática, não pode parar no tempo. Isso apenas significaria que não estavamos a evoluir, que tinhamos estagnado e talvez estivessemos a deixar que os nossos sonhos e objectivos morressem.

Aos pais custa que os filhos saiam de casa, seja com que idade for e qualquer que seja a razão. Porque os filhos são sempre “pequeninos” mesmo que tenham 40 anos e é sempre dificíl cortar o cordão umbilical. Para os pais é muito mais dificíl porque o sentem como uma perda, enquanto o jovem que parte à descoberta o sente como uma conquista.

Ás pessoas, de um modo geral, a umas mais do que a outras, também custa enfrentar a mudança e encara-la como algo positivo. Aos solteiros custa que os amigos se casem, sentem-no como uma perda, como um corte, por vezes como uma derrota. Aos casados custa que os amigos se divorciem, porque sentem a nuvem da possibilidade a pairar sobre as suas cabeças, porque as coisas só nos parecem reais quando acontecem de perto, porque novamente haverá (no seu entender) um corte. Aos divorciados incomoda, por vezes, a felicidade de outros relacionamentos que se mostram “de pedra e cal”.

Aos patrões custa ver sair um bom colaborador, como aos colegas custa que este mude para melhor, enquanto estes permanecem no mesmo sitio. Ainda que nada tenham feito para, eles próprios, mudarem. A quem sai, custa fazê-lo com receio de fazer a escolha errada e ser criticado pelos que ficam e se indignam.

Mas afinal a mudança é boa ou má? Devemos enfrentá-la sem medos ou fugir dela como o diabo da cruz?

Afinal somos capazes de sentir uma inveja positiva ou apenas um sentimento de inveja mesquinho e pequenino que nos impede de crescer? E será que ao menos temos consciência dessa inveja que cresce dentro de nós, como uma erva daninha num jardim em flor? Normalmente não. E como o pior cego é aquele que não quer ver, continuamos assim, pela vida fora a almejar o que não é nosso mas sem nunca dar o primeiro passo para ser melhor.

A mudança, mais que boa, é necessária. É com ela que aprendemos a andar, a falar, a escrever, a ler, que crescemos e fazemos escolhas. E cada escolha é, necessariamente, uma mudança, embora nem sempre tenhamos consciência disso. É pelo sentido de mudança que está em nós enraizado, que estudamos e tiramos cursos, que nos relacionamos com os outros, que namoramos e casamos. São as mudanças, programadas ou simples rasteiras da vida, que nos ensinam e nos fazem crescer, que nos tornam melhores pessoas (ou deveriam). E as mudanças não devem ser encaradas como cortes com o passado recente, que o não são. É esse passado, mais ou menos recente que fez de nós as pessoas que hoje somos e por isso, ainda que quisessemos, não poderiamos cortar com ele. Então a mudança não passa disso mesmo… mudança. E não são as pessoas que mudam, não se esquecem nem se dividem, nem se afastam… Apenas as variáveis se alteram para que a equação se torne mais rica. Não se trocam amigos por amigos, nem amigos por namorados, nem familias por maridos, nem maridos por amigos… Nada se troca porque as pessoas não são objectos inanimados. Tudo se conjuga à medida que as mudanças ocorrem. E muitas vezes não são as pessoas alvo de mudança que se afastam do seu passado recente, é esse passado, o meio onde se inseriam, que a rejeitam a pouco e pouco, que a substituem pelo imediato, pelo tangivel, pelo quotidiano. É o meio que a faz sentir-se diferente, embora a pessoa se possa sentir igual, que a confunde e impele para outro qualquer meio.

A mudança é boa e temos apenas que aprender a ser flexiveis, tolerantes e humildes para que ela aconteça connosco e não apenas aos outros. Não temos que nos lamentar, temos que andar sempre de cabeça erguida e perceber que nem sempre o mundo está contra nós, às vezes somos nós que viramos as costas ao mundo. Que a nossa vida não é melhor nem pior, mais ou menos dificil que a de ninguém. Apenas vivemos vivemos todos em realidades diferentes e cada um vive os seus problemas na medida do sofrimento que conhece. Não existem mártires nem heróis, nem maus da fita. Temos apenas que nos adaptar ao que o presente nos vai revelando, respeitar o espaço de cada um sem os repelir, sem que esse espaço se transforme numa cratera que já não podemos transpor.

Não é fácil assistir à mudança mas também não é fácil mudar. No fundo não há realidades perfeitas mas tudo seria mais simples e risonho se todos pudessemos compreender que a vida passa depressa demais para nos darmos ao luxo de estagnar, de cobiçar, de não aproveitar os dias sem ver sempre e só, ciscos nos olhos dos outros.
A vida não é fácil mas pode ser bonita. Basta vermos o lado bom das coisas… Às vezes não parece mas ele existe em todas as situações, por piores que nos pareçam.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A Vida em Câmara Lenta…

Os cantores e poetas têm a sorte de poder escrever sem que ninguém se questione se escrevem sobre si mesmos ou apenas sobre a vida de todos nós. Não têm que se justicar e retratam com frequência, aquilo que sentimos, na perfeição. Deve ser bom ter esta liberdade ou então é um peso demasiado grande para carregar… Não sei bem.

Não sendo poeta, hoje decidi escrever sobre a vida… Não escrevo sobre mim, embora em muitos momentos me tenha sentido da mesma forma, acho que todos nós em algum momento nos sentimos assim… Mas escrevo para alguém que sei que precisa de mim. De mim e de todas as pessoas que a rodeiam mas não sabem que ela precisa de um ombro ou apenas de um par de ouvidos disponiveis.

Hoje escrevo para alguém que me conhece à uma vida inteira e que agora está um pouco perdida. Eu já estive perdida, já andei sem rumo, já tive dúvidas, escolhas que não consegui fazer… Não é fácil não encontrar um caminho demarcado e ter que escolher atalhos, não é simples querer falar mas não saber o que exprimir… Às vezes parece-nos que deixamos de ser nós, como se por momentos ou dias inteiros tivessemos a capacidade de abandonar o nosso corpo e ficassemos como um espectador a vê-lo à distância. Sentimo-nos como que dormentes, as acções saem de forma automática e irrefletida, assistimos ao dia-a-dia de camarote e não conseguimos ter maior intervenção do que o cumprimento da simples rotina.

Eu diria que é isto que nos perturba, mais do que qualquer coisa. É o querer fazer algo e não saber como ou o que fazer. É querer mudar a vida e não saber que mudança fazer. É sentirmo-nos presas a um ciclo de tarefas instalado que não conseguimos romper.

São fases mas no momento em que as vivemos parecem eternas e, por isso, sentimo-nos sem saídas, sem esperança, sem motivação. Mas são fases… Mais cedo ou mais tarde encontramos novos rumos, novos projectos que nos fazem sorrir e enfrentar os dias com garra e vontade. Enquanto duram parecem-nos anos mas se ficarmos bloqueadas, a pensar em todas as incertezas da vida… Deixamos de viver. Deixamos que esse tempo passe em claro, sem nada que o marque ou o faça valer a pena. É como se estivessemos a desperdiçar minutos preciosos de um tempo limitado que temos para disfrutar de tudo e de todos os que nos rodeiam.

Com maior frequência do que gostariamos, deixamos de arranjar tempo para as coisas que seriam realmente importantes e ficamos à espera que a vida mude por si, que os dias passem depressa porque não gostamos do que estamos a sentir… Não nos lembramos que se o tempo passar sempre de forma tão rápida, vai sobrar muito menos para procurarmos o que nos faz feliz.

Há momentos dificeis, experiências pelas quais seria melhor não passar, sentimentos que não conseguimos explicar, insatisfações constantes que não podemos saciar… Mas se ficarmos parados à espera que as lágrimas sequem e não fizermos nada para modificar o que está mal, quando olharmos para trás, a vida terá passado e não teremos lembranças que nos façam sentir que valeu a pena cá andar… É por essas boas recordações que temos que nos levantar todos os dias com a esperança de que esses dias serão melhores, de que coisas positivas podem acontecer nas nossas vidas e de que sorrir todos os dias é o melhor remédio mesmo que não nos apeteça.

Quando estiveres tristonha não ouças a RFM, mete um CD remix a tocar e canta alto, dança enquanto vais a conduzir para qualquer lado… Não faças do volante o divã do consultório, não penses nas coisas menos positivas… Quando achares que isso vai acontecer, aumenta ainda mais o volume do rádio e disfruta da paisagem… Acima de tudo, pensa nas coisas boas que a vida te dá e tenta desvalorizar as outras. A vida são dois dias e os pensamentos positivos atraem mesmo coisas positivas!

Em todo o caso, eu estou sempre aqui, para tentar apagar qualquer fogo de maiores dimensões que se avizinhe.

Kiss kiss*

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Existirão coincidências?

Conversavam calmamente sobre outros tempos e outras histórias quando decidiram, sem mais nem menos, sem planos nem marcações, sem mais nem demoras que partiriam no dia seguinte de manhã, rumo a uma nova aventura.

Não sabiam que roupa levar ou onde iam pernoitar, não sabiam bem o caminho e não levaram mapas ou bussolas. Apenas os sonhos, a esperança de chegar e a vontade de olhar o mundo de outra perspectiva, de outro cantinho do planeta, com sotaque merengado.

Partiram, felizes, confiantes, sorridentes. Ouviam música alta e diziam disparates quando o primeiro obstáculo se lhes depara… “POOMMMMMM” – Sim, podiamos estar agora a ver um quadradinho de BD mas não… à sua frente havia explodido um pneu de um camião. Depois de uma travagem a fundo para evitar serem atingidas pelos destroços da viatura, conseguem esquivar-se por entre a fumarada que dali vinha e escapar, de coração sobressaltado mas ilesas.

Respiraram fundo como que para ganhar folgo para seguir e lá foram… Certas de que nada mais tinha sido do que um grande susto e uma infeliz coincidência… Novamente se aumentou o volume do rádio e de volta às confidências habituais prosseguiram.

Heis senão quando, avistam na beira da estrada, um veículo totalmente destruido, dois carros parados, gente de volta do acidentado e nenhuma ambulância, policia ou qualquer outra autoridade. Sabendo da habitual tendência portuguesa para o heroísmo e disparate, não podiam fechar os olhos a esta situação… Mais uma vez a viagem estava interrompida. Prontamente correram para o local, tentando perceber o que tinha acontecido… O acidentado era afinal uma senhora que viajava sozinha, tinha cerca de 60 anos, sangrava da cabeça e tinha dificuldade em manter-se acordada. Era preciso obrigá-la a manter os olhos abertos, a custo de qualquer conversa de circunstância e apressar a ajuda que teimava em não chegar. Foram precisos vários telefonemas e muita persistência para conseguirmos ter alguém no local. Enquanto isto a preocupação da BT era “a Sra. não consegue chegar aos seus documentos?”… Impressionante como alguns destes senhores que alegadamente circulam pelas nossas estradas para nos ajudar e proteger conseguem, em momentos de crise, ter a sensibilidade de um elefante.

Enfim a ajuda chegou, a Sra. foi removida da viatura e transportada para o hospital mais próximo. Iam novamente seguir viagem, com a certeza de que tinham feito a coisa certa, de consciência tranquila mas com o coração mais apertado… Tinha sido mais uma infeliz coincidência.

Outras peripécias se seguiram… Camionistas a deambular por entre faixas, hotéis lotados e estradas cruzadas, cortadas, irreconheciveis, imcompreensiveis… Um conjunto de dificuldades que só ao fim de várias horas foi possível vencer.

Valeu a pena! É preciso dizer que depois de muito praguejar e rir ao mesmo tempo, depois de se ouvir várias vezes naquele carro “amanhã vamos embora”, isto não aconteceu. Com muito sentido de humor, esperança e umas boas gargalhadas conseguiram chegar… Não ao destino inicialmente pensado (outra das muitas peripécias) mas ao destino alternativo encontrado que acabou por se revelar uma agradável surpresa e aí ficaram o tempo previsto.

Outras risadas se seguiram, com a cumplicidade habitual e o divertimento que sempre conseguem encontrar. Foram dias bem passados… Sabe bem escapar à vida real, nem que seja apenas por um instante, esquecer o mundo e rir, rir muito. Dizer disparates, recarregar baterias, alimentar o ego, recordar que existem pessoas nas nossas vidas que permanecerão para sempre nelas. São familia, embora não sejam do mesmo sangue. Mais que isso, são parte de nós.

Chegada a hora do regresso fica a nostalgia e o receio de uma viagem como a anterior… Não foi tão caricata, é certo mas não podia passar despercebida. Desde enganos nas saídas, à má sinalização das estradas além fronteiras, ao desespero de certos homens para captar a atenção de duas amigas em viagem… Tudo se viu neste regresso a casa.

Enfim chegaram… Sãs e salvas, com mais histórias para contar, mais aventuras daquelas que nos fazem sorrir… Passados os momentos de susto, dá vontade de rir.

Há dias de manhã em que uma mulher à tarde não devia sair à noite… Valeu a pena mas será que continuam a acreditar em coincidências?