terça-feira, 28 de outubro de 2008

I'm so proud.... (*)

Quando criei este Blog, disse a todos e a mim mesma que só seriam aqui publicados textos da minha autoria. Porque gosto de escrever, porque a escrita me liberta e me faz bem. É um espaço meu, não partilhado... Enquanto estou a escrever, estou num mundo privado. Claro que para isso não preciso de um Blog, poderia fazê-lo apenas para mim e guardá-lo. Mas passado esse momento a sós comigo, gosto de o partilhar, gosto que me leiam e opinem. As criticas ajudam-nos a evoluir, a querer mais, a ser mais exigentes connosco.

Contudo, há uns dias recebi um texto que me deixou sem palavras, que não sendo meu, o senti como uma parte de mim... Fiquei a olhar para o ecrã, de lágrimas nos olhos e sem palavras. Não é um texto triste, nada disso. Mas fiquei tão orgulhosa que toda a emoção quis sair olhos fora, já que a boca estava muda...


"Um caracol diferente

Como todas as histórias começam, era uma vez, um caracol chamado Joca que era muito diferente dos outros caracóis.

Joca tinha várias qualidades tais como: era um grande poeta, sabia andar de skate, tocava saxofone, sabia falar cinco línguas…
Ele era considerado o mestre da Caracolândia, sim, é claro que com aquela inteligência toda ele era professor de educação física, de língua portuguesa, de música e de matemática.
O caracol tinha uma família muito grande, composta por oito membros que eram: o pai TSF, a mãe rádio Comercial, o irmão RFM e a irmã Mega FM, os avós M80 e os tios Cidade FM.
Certo dia, no intervalo dos alunos de Joca, um dos alunos tinha sido capturado pelo malvado, Imperador Gafanhoto. Estavam todos muito preocupados com o pobre caracol, então uniram-se e foram à sua procura.
Eles percorreram riachos a surfar em folhas, treparam por pedras gigantes, enfrentaram lagartas, vespas…
Quando chegaram à Gafanhotãndia, viram centenas de insectos presos em gaiolas de paus! Ai ainda ficaram mais assustados, mas não perderam a coragem. A chave das gaiolas estava com o Imperador Gafanhoto, então Joca decidiu que ele é que o iria enfrentar. Os outros caracóis combateram com os outros gafanhotos. Vocês deviam ver: eram antenas para ali, ranho para acolá…
O combate já tinha acabado, e os caracóis tinham ganho! Joca tinha vencido o Imperador Gafanhoto com o seu golpe especial de KungFu.
Mal acabou aquela confusão, Joca pegou nas chaves e foi libertar todos os insectos, e o seu aluno caracol.
A partir desse dia, tudo voltou ao normal e todos os insectos ficaram em paz."

O Ricardo é o meu sobrinho mais velho e tem apenas 9 anos. O tema não lhe foi proposto pela professora nem sequer foi um trabalho da escola. Ele escreveu-o porque lhe apeteceu escrever e é tudo fruto da sua imaginação.
Se calhar para qualquer pessoa parecerá um texto comum mas para mim é um sinal de que o meu piolho está crescido e gosta de coisas que eu gosto... Deixou-me orgulhosa e sem palavras, pela qualidade do texto, pela farta imaginação, por tudo e por mais qualquer coisa que não consigo ainda exprimir. Mas se calhar sou suspeita para fazer essas considerações...

Obrigada por me deixarem partilhar este momento convosco :) Bom Dia Alegria!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mudanças…

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades… Podia começar assim, ainda que a frase pareça um pouco batida.

Mudam-se as vontades, a vida, muda-se de casa e, por vezes de amigos. Não é que os amigos se troquem uns pelos outros mas as mudanças fazem, por vezes, com que nos aproximemos de uns e nos afastemos de outros. Os amigos verdadeiros permanecem, mesmo que longe da vista.

Há pessoas que não encaram bem a mudança, custa-lhes perceber que a vida é, de facto, um organismo vivo. Parece que me estou a repetir mas não há outro modo de o dizer. Como organismo vivo que é, não pode ser estática, não pode parar no tempo. Isso apenas significaria que não estavamos a evoluir, que tinhamos estagnado e talvez estivessemos a deixar que os nossos sonhos e objectivos morressem.

Aos pais custa que os filhos saiam de casa, seja com que idade for e qualquer que seja a razão. Porque os filhos são sempre “pequeninos” mesmo que tenham 40 anos e é sempre dificíl cortar o cordão umbilical. Para os pais é muito mais dificíl porque o sentem como uma perda, enquanto o jovem que parte à descoberta o sente como uma conquista.

Ás pessoas, de um modo geral, a umas mais do que a outras, também custa enfrentar a mudança e encara-la como algo positivo. Aos solteiros custa que os amigos se casem, sentem-no como uma perda, como um corte, por vezes como uma derrota. Aos casados custa que os amigos se divorciem, porque sentem a nuvem da possibilidade a pairar sobre as suas cabeças, porque as coisas só nos parecem reais quando acontecem de perto, porque novamente haverá (no seu entender) um corte. Aos divorciados incomoda, por vezes, a felicidade de outros relacionamentos que se mostram “de pedra e cal”.

Aos patrões custa ver sair um bom colaborador, como aos colegas custa que este mude para melhor, enquanto estes permanecem no mesmo sitio. Ainda que nada tenham feito para, eles próprios, mudarem. A quem sai, custa fazê-lo com receio de fazer a escolha errada e ser criticado pelos que ficam e se indignam.

Mas afinal a mudança é boa ou má? Devemos enfrentá-la sem medos ou fugir dela como o diabo da cruz?

Afinal somos capazes de sentir uma inveja positiva ou apenas um sentimento de inveja mesquinho e pequenino que nos impede de crescer? E será que ao menos temos consciência dessa inveja que cresce dentro de nós, como uma erva daninha num jardim em flor? Normalmente não. E como o pior cego é aquele que não quer ver, continuamos assim, pela vida fora a almejar o que não é nosso mas sem nunca dar o primeiro passo para ser melhor.

A mudança, mais que boa, é necessária. É com ela que aprendemos a andar, a falar, a escrever, a ler, que crescemos e fazemos escolhas. E cada escolha é, necessariamente, uma mudança, embora nem sempre tenhamos consciência disso. É pelo sentido de mudança que está em nós enraizado, que estudamos e tiramos cursos, que nos relacionamos com os outros, que namoramos e casamos. São as mudanças, programadas ou simples rasteiras da vida, que nos ensinam e nos fazem crescer, que nos tornam melhores pessoas (ou deveriam). E as mudanças não devem ser encaradas como cortes com o passado recente, que o não são. É esse passado, mais ou menos recente que fez de nós as pessoas que hoje somos e por isso, ainda que quisessemos, não poderiamos cortar com ele. Então a mudança não passa disso mesmo… mudança. E não são as pessoas que mudam, não se esquecem nem se dividem, nem se afastam… Apenas as variáveis se alteram para que a equação se torne mais rica. Não se trocam amigos por amigos, nem amigos por namorados, nem familias por maridos, nem maridos por amigos… Nada se troca porque as pessoas não são objectos inanimados. Tudo se conjuga à medida que as mudanças ocorrem. E muitas vezes não são as pessoas alvo de mudança que se afastam do seu passado recente, é esse passado, o meio onde se inseriam, que a rejeitam a pouco e pouco, que a substituem pelo imediato, pelo tangivel, pelo quotidiano. É o meio que a faz sentir-se diferente, embora a pessoa se possa sentir igual, que a confunde e impele para outro qualquer meio.

A mudança é boa e temos apenas que aprender a ser flexiveis, tolerantes e humildes para que ela aconteça connosco e não apenas aos outros. Não temos que nos lamentar, temos que andar sempre de cabeça erguida e perceber que nem sempre o mundo está contra nós, às vezes somos nós que viramos as costas ao mundo. Que a nossa vida não é melhor nem pior, mais ou menos dificil que a de ninguém. Apenas vivemos vivemos todos em realidades diferentes e cada um vive os seus problemas na medida do sofrimento que conhece. Não existem mártires nem heróis, nem maus da fita. Temos apenas que nos adaptar ao que o presente nos vai revelando, respeitar o espaço de cada um sem os repelir, sem que esse espaço se transforme numa cratera que já não podemos transpor.

Não é fácil assistir à mudança mas também não é fácil mudar. No fundo não há realidades perfeitas mas tudo seria mais simples e risonho se todos pudessemos compreender que a vida passa depressa demais para nos darmos ao luxo de estagnar, de cobiçar, de não aproveitar os dias sem ver sempre e só, ciscos nos olhos dos outros.
A vida não é fácil mas pode ser bonita. Basta vermos o lado bom das coisas… Às vezes não parece mas ele existe em todas as situações, por piores que nos pareçam.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A Vida em Câmara Lenta…

Os cantores e poetas têm a sorte de poder escrever sem que ninguém se questione se escrevem sobre si mesmos ou apenas sobre a vida de todos nós. Não têm que se justicar e retratam com frequência, aquilo que sentimos, na perfeição. Deve ser bom ter esta liberdade ou então é um peso demasiado grande para carregar… Não sei bem.

Não sendo poeta, hoje decidi escrever sobre a vida… Não escrevo sobre mim, embora em muitos momentos me tenha sentido da mesma forma, acho que todos nós em algum momento nos sentimos assim… Mas escrevo para alguém que sei que precisa de mim. De mim e de todas as pessoas que a rodeiam mas não sabem que ela precisa de um ombro ou apenas de um par de ouvidos disponiveis.

Hoje escrevo para alguém que me conhece à uma vida inteira e que agora está um pouco perdida. Eu já estive perdida, já andei sem rumo, já tive dúvidas, escolhas que não consegui fazer… Não é fácil não encontrar um caminho demarcado e ter que escolher atalhos, não é simples querer falar mas não saber o que exprimir… Às vezes parece-nos que deixamos de ser nós, como se por momentos ou dias inteiros tivessemos a capacidade de abandonar o nosso corpo e ficassemos como um espectador a vê-lo à distância. Sentimo-nos como que dormentes, as acções saem de forma automática e irrefletida, assistimos ao dia-a-dia de camarote e não conseguimos ter maior intervenção do que o cumprimento da simples rotina.

Eu diria que é isto que nos perturba, mais do que qualquer coisa. É o querer fazer algo e não saber como ou o que fazer. É querer mudar a vida e não saber que mudança fazer. É sentirmo-nos presas a um ciclo de tarefas instalado que não conseguimos romper.

São fases mas no momento em que as vivemos parecem eternas e, por isso, sentimo-nos sem saídas, sem esperança, sem motivação. Mas são fases… Mais cedo ou mais tarde encontramos novos rumos, novos projectos que nos fazem sorrir e enfrentar os dias com garra e vontade. Enquanto duram parecem-nos anos mas se ficarmos bloqueadas, a pensar em todas as incertezas da vida… Deixamos de viver. Deixamos que esse tempo passe em claro, sem nada que o marque ou o faça valer a pena. É como se estivessemos a desperdiçar minutos preciosos de um tempo limitado que temos para disfrutar de tudo e de todos os que nos rodeiam.

Com maior frequência do que gostariamos, deixamos de arranjar tempo para as coisas que seriam realmente importantes e ficamos à espera que a vida mude por si, que os dias passem depressa porque não gostamos do que estamos a sentir… Não nos lembramos que se o tempo passar sempre de forma tão rápida, vai sobrar muito menos para procurarmos o que nos faz feliz.

Há momentos dificeis, experiências pelas quais seria melhor não passar, sentimentos que não conseguimos explicar, insatisfações constantes que não podemos saciar… Mas se ficarmos parados à espera que as lágrimas sequem e não fizermos nada para modificar o que está mal, quando olharmos para trás, a vida terá passado e não teremos lembranças que nos façam sentir que valeu a pena cá andar… É por essas boas recordações que temos que nos levantar todos os dias com a esperança de que esses dias serão melhores, de que coisas positivas podem acontecer nas nossas vidas e de que sorrir todos os dias é o melhor remédio mesmo que não nos apeteça.

Quando estiveres tristonha não ouças a RFM, mete um CD remix a tocar e canta alto, dança enquanto vais a conduzir para qualquer lado… Não faças do volante o divã do consultório, não penses nas coisas menos positivas… Quando achares que isso vai acontecer, aumenta ainda mais o volume do rádio e disfruta da paisagem… Acima de tudo, pensa nas coisas boas que a vida te dá e tenta desvalorizar as outras. A vida são dois dias e os pensamentos positivos atraem mesmo coisas positivas!

Em todo o caso, eu estou sempre aqui, para tentar apagar qualquer fogo de maiores dimensões que se avizinhe.

Kiss kiss*

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Existirão coincidências?

Conversavam calmamente sobre outros tempos e outras histórias quando decidiram, sem mais nem menos, sem planos nem marcações, sem mais nem demoras que partiriam no dia seguinte de manhã, rumo a uma nova aventura.

Não sabiam que roupa levar ou onde iam pernoitar, não sabiam bem o caminho e não levaram mapas ou bussolas. Apenas os sonhos, a esperança de chegar e a vontade de olhar o mundo de outra perspectiva, de outro cantinho do planeta, com sotaque merengado.

Partiram, felizes, confiantes, sorridentes. Ouviam música alta e diziam disparates quando o primeiro obstáculo se lhes depara… “POOMMMMMM” – Sim, podiamos estar agora a ver um quadradinho de BD mas não… à sua frente havia explodido um pneu de um camião. Depois de uma travagem a fundo para evitar serem atingidas pelos destroços da viatura, conseguem esquivar-se por entre a fumarada que dali vinha e escapar, de coração sobressaltado mas ilesas.

Respiraram fundo como que para ganhar folgo para seguir e lá foram… Certas de que nada mais tinha sido do que um grande susto e uma infeliz coincidência… Novamente se aumentou o volume do rádio e de volta às confidências habituais prosseguiram.

Heis senão quando, avistam na beira da estrada, um veículo totalmente destruido, dois carros parados, gente de volta do acidentado e nenhuma ambulância, policia ou qualquer outra autoridade. Sabendo da habitual tendência portuguesa para o heroísmo e disparate, não podiam fechar os olhos a esta situação… Mais uma vez a viagem estava interrompida. Prontamente correram para o local, tentando perceber o que tinha acontecido… O acidentado era afinal uma senhora que viajava sozinha, tinha cerca de 60 anos, sangrava da cabeça e tinha dificuldade em manter-se acordada. Era preciso obrigá-la a manter os olhos abertos, a custo de qualquer conversa de circunstância e apressar a ajuda que teimava em não chegar. Foram precisos vários telefonemas e muita persistência para conseguirmos ter alguém no local. Enquanto isto a preocupação da BT era “a Sra. não consegue chegar aos seus documentos?”… Impressionante como alguns destes senhores que alegadamente circulam pelas nossas estradas para nos ajudar e proteger conseguem, em momentos de crise, ter a sensibilidade de um elefante.

Enfim a ajuda chegou, a Sra. foi removida da viatura e transportada para o hospital mais próximo. Iam novamente seguir viagem, com a certeza de que tinham feito a coisa certa, de consciência tranquila mas com o coração mais apertado… Tinha sido mais uma infeliz coincidência.

Outras peripécias se seguiram… Camionistas a deambular por entre faixas, hotéis lotados e estradas cruzadas, cortadas, irreconheciveis, imcompreensiveis… Um conjunto de dificuldades que só ao fim de várias horas foi possível vencer.

Valeu a pena! É preciso dizer que depois de muito praguejar e rir ao mesmo tempo, depois de se ouvir várias vezes naquele carro “amanhã vamos embora”, isto não aconteceu. Com muito sentido de humor, esperança e umas boas gargalhadas conseguiram chegar… Não ao destino inicialmente pensado (outra das muitas peripécias) mas ao destino alternativo encontrado que acabou por se revelar uma agradável surpresa e aí ficaram o tempo previsto.

Outras risadas se seguiram, com a cumplicidade habitual e o divertimento que sempre conseguem encontrar. Foram dias bem passados… Sabe bem escapar à vida real, nem que seja apenas por um instante, esquecer o mundo e rir, rir muito. Dizer disparates, recarregar baterias, alimentar o ego, recordar que existem pessoas nas nossas vidas que permanecerão para sempre nelas. São familia, embora não sejam do mesmo sangue. Mais que isso, são parte de nós.

Chegada a hora do regresso fica a nostalgia e o receio de uma viagem como a anterior… Não foi tão caricata, é certo mas não podia passar despercebida. Desde enganos nas saídas, à má sinalização das estradas além fronteiras, ao desespero de certos homens para captar a atenção de duas amigas em viagem… Tudo se viu neste regresso a casa.

Enfim chegaram… Sãs e salvas, com mais histórias para contar, mais aventuras daquelas que nos fazem sorrir… Passados os momentos de susto, dá vontade de rir.

Há dias de manhã em que uma mulher à tarde não devia sair à noite… Valeu a pena mas será que continuam a acreditar em coincidências?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Finding your place...

Há pessoas que não sabem o seu lugar! Confundem com facilidade amigos e conhecidos, têm dificuldade em definir e compreender prioridades, acontecimentos, eventos e afins. Julgam-se no direito de ter lugar cativo não apenas na vida dos supostos amigos como dos conhecidos. Têm dificuldade em compreender que há momentos na vida de cada um que pertecem apenas às pessoas mais próximas, àqueles amigos de todos os dias, que nos aturam, que riem e choram connosco e que até podemos não ver com a frequência desejada mas que sabemos que continuam a fazer parte de nós. Não apenas nos encontros pontuais, ocasionais, sociais mas para tudo, para sempre.

E a vida até nos pode levar por caminhos diferentes mas não nos esquecemos, não deixamos de lhes querer bem e sabemos que em qualquer altura eles estaram à distância de um telefonema ou de um click.

Não quer dizer que não gostamos de todas as outras pessoas que de um modo ou de outro entram na nossa vida, que de um modo ou de outro estão presentes ainda que de forma pontual, não quer dizer que não tenhamos gosto em vêr e revêr esses conhecidos mas é importante perceber que nem todos têm ou podem ocupar igual lugar nas nossas vidas e nos nossos corações. E não temos que levar isso a mal, não é estranho, é humano! E não quer dizer que não possamos convidá-los para um cem número de acontecimentos mas há momentos que são privados, únicos e incomparaveis e esses momentos pertencem àqueles amigos que consideramos mesmo Amigos e não a todos os que conhecemos. E é claro que nos podemos enganar nestas considerações, podemos fazer juizos menos correctos ou tirar elações que fogem à realidade mas gosto de acreditar que o ser humano ainda pode ser bom em essência, que todos todos têm direito a tomar decisões sem julgamento, que até os amigos nos podem desiludir sem que isso os penalize, porque errar é humano e a perfeição é uma útopia e, acima de tudo, que ainda existem amigos que vamos guardar para toda a vida. E estes não nos julgam, ouvem-nos. Não nos recriminam, compreendem-nos. Dizem-no de forma directa quando pensam que errámos mas não deixam de estar ao nosso lado porque o fizemos…
Ser amigo é a tarefa mais dificil de desempenhar mas também a melhor.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

"a paz que eu preciso para sobreviver"

Ontem ouvi isto e fiquei a pensar… De que precisamos para viver ou sobreviver? O que nos fará realemente falta para enfrentar cada novo dia?

Além do trabalho que nos sustenta, das coisas básicas de todos os dias, o que poderá fazer-nos perder a esperança na humanidade e desistir?

Para algumas pessoas será ter alguém ao lado, uma companhia, um relacionamento, um amor. Outros há que não vivem se não estiverem rodeados de amigos, de animação, de festas. Há pessoas que confundem conhecidos com amigos e amigos com amor, outros há que não sabem amar, não querem ter ninguém por perto e prezam ao extremo a sua solidão.

Então o que será necessário para sobrevivermos num mundo cada vez mais tumultuado? Será que não conseguimos estabelecer um padrão?

É certo que cada pessoa é diferente da outra, todos temos expectativas e ambições muito diferentes mas também é verdade que acima de qualquer outra caracteristica, somos humanos.

Será que quem gosta da solidão é feliz à sua maneira ou será este, nada mais que um disfarce para os seus receios? Será que apenas decidiu preservar-se numa redoma invisivel com medo de viver?

Quem vive apenas em função dos amigos será que nunca sente falta de um carinho na chegada a casa? De um sorriso que o espera no final de um longo dia de trabalho? De ficar no sofá, debaixo da mantinha a ver filmes e a comer pipocas com o seu porto seguro? De alguém com quem partilhar os lençois e os sonhos?

E quem vive em função de uma só pessoa, será que realmente pode ser feliz e fazer feliz? Não será colocar uma responsabilidade maior do que se pode suportar, em cima de uma só pessoa que, julgamos, terá a capacidade de nos fazer sorrir todos os dias, fazer passar todos os problemas… E quando essa pessoa também precisar de nós? Será que lhe vamos dar espaço? Será que vamos conseguir estar lá para ela na mesma medida? E será que cada um não precisa do seu próprio espaço de vez enquando?

Sendo certo que não existem fórmulas milagrosas para a felicidade, eu acho que cada um deve procurar um pouco de tudo, numa receita equlibrada entre os diferentes tipos de amor que o nosso coração tem a capacidade de desenvolver por cada pessoa que entra na nossa vida, sem deixar de reservar algum do nosso tempo para nós mesmos… A solidão em excesso não pode fazer ninguém feliz mas parar um pouco, de vez enquando e olhar para dentro é o melhor calmante para todas as inquietudes!

Que vos parece? Voltei à idade dos porquês? …Como se alguma vez de lá saíssemos ;)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

"Some labels are best left in the closet"

Quem nunca idealizou o final feliz para a sua vida? Aquele momento em que tudo está perfeito, em que os Deuses conspiram a nosso favor e nada pode correr mal… Quem nunca se imaginou num conto de fadas?

Se é verdade que desde muito cedo percebi que os contos de fadas não passavam de imaginação e muito pouco próximos da realidade, não é menos verdade que nunca deixei de ter sonhos, de querer mais para mim e para a minha vida… ‘Estória Encantada ou não!

Acho que são precisamente os sonhos que nos fazem viver, lutar e vencer. Quando sonhamos (e todas as pessoas têm sonhos, quer o admitam ou não) estabelecemos objectivos, metas e enquanto andamos na prossecução destas, abstraímo-nos dos problemas exteriores, dos obstáculos… Porque com maior ou menor dificuldade e inconscientemente, sabemos que vamos ultrapassa-los.

Durante anos assisti à vida de quatro amigas com as quais me identificava, que viviam os dramas de todas as mulheres, que têm os seus momentos menos felizes e contam com a força de todas para as ajudar a ultrapassa-los e que, acima de tudo, não deixam de se levantar, de vestir um vestido arrojado e uma maquilhagem no rosto para sair com as companheiras de sempre e enfrentar a vida com uma gargalhada. Foi sobretudo esta atitude arrojada que transmitiam ter perante as vicissitudes que me prendeu sempre ao pequeno ecrã.

Fiquei um pouco desapontada quando a vida destas amigas da “caixinha” deixou de passar (depois de ter visto dezenas de episódios repetidos) mas agora, por fim, pude assistir novamente à vida delas e desta vez num “episódio” de duas horas e meia e adorei! A duração pareceu curta, a história fantástica, elas magnificas e a arrancarem de mim sucessivas gargalhadas e também alguma emoção, confesso. Fiquei contente por voltar a vê-las, como que de um reencontro de amigas se tratasse (a “caixinha mágica” tem destas coisas) e consegui, mesmo ao fim de tantos anos, continuar a identificar-me com elas porque também evoluíram nas suas vidas, porque a história tem a capacidade de nos fazer sentir que as temos acompanhado ao longo de todo este tempo, como se as conhecêssemos de facto. E sim, eu sei que é tudo ficção mas na minha vida também existem três amigas de carne e osso que, mais do quaisquer outras estão presente nas minhas aventuras e desventuras. Sinto que estas são as minhas Samantha, Miranda e Charlotte e não tenho dúvidas que me vão acompanhar para sempre, tal como o meu Big!

Esta é daquelas ‘estórias que vou mesmo rever(-me) ;)


Um beijo às minhas “Manhattan Girls”… It’s not logic, it’s love!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Há Dias Perfeitos...

Há dias em que tudo está como deveria estar e até o Sol decide sorrir-nos, depois de vários dias de chuva.

Foi assim o "nosso" dia... Pleno de sorrisos, de alegrias, de amigos, de sentimentos... Um dia rico em tudo aquilo que conta, em tudo o que marca a diferença nas nossas vidas. Não foi dia para nervos nem stress, tudo se articulou naturalmente e (espero) todos se divertiram tanto quanto nós.

Foi sem dúvida um dia especial, foi o meu dia de princesa, foi o dia do meu principe, foi um dia diferente de todos os que já vivemos e de todos os que se seguem... Para alguns terá sido dia de lágrimas (de alegria, claro!) para outros (a maioria em que me incluo) foi dia de sorrisos... Mas foi sobretudo um dia pleno e feliz porque o pudemos partilhar com todos aqueles que de um modo ou de outro fazem parte das nossas vidas. Alguns porque sempre estiveram ao nosso lado, porque nos acompanham desde sempre, porque nos viram nascer e crescer. Outros porque entraram na nossa vida, em algum momento mais ou menos remoto e nunca mais partiram. Em todo o caso tivemos connosco, neste dia, as pessoas que guardamos num cantinho especial nos nossos corações e que esperamos (para quem lá esteve irá lembrar-se destas palavras) continuem sempre, a fazer parte das nossas vidas. E se é verdade que o dia-a-dia sempre a correr por vezes não nos permite dispor do tempo que gostariamos para acarinhar todos os amigos, não é menos verdade que as amizades verdadeiras não enfraquecem com a distância geografica ou com a ausência de uma rotina entre amigos. A amizade verdadeira resiste a tudo isso, alimenta-se das mais pequenas coisas, de um telefonema, de um e-mail, de uma mensagem... que podem não acontecer todos os dias ou todas as semanas e, às vezes, nem todos os meses... Por vezes só falamos com os amigos tão de vez em quando que a saudade começa verdadeiramente a apertar-nos o coração... Mas temos a certeza que aquele amigo é para toda a vida quando o encontramos ao fim de vários meses e nos sentimos como se o tivessemos visto no dia anterior... É muito bom ter amigos de verdade, daqueles que estão sempre presentes nos momentos mais e menos importantes da nossa vida.
A todos os que fizeram parte deste "nosso" dia (e a ti noivo) obrigada por terem feito do meu sorriso uma constante!
Beijoca grande dos Trolius ;)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Muito pouco Bridget...

Embora a maioria dos que por aqui passam julguem que escrevo sobre a minha pessoa, isso nem sempre é verdade. Em geral escrevo sobre aquilo que vejo, que sinto no ar, que presencio ou simplesmente sobre aquilo que julgo serem as preocupações (ainda que não explicitas) da maioria das pessoas. E sim, uma vez por outra, muito de vez em quando, escrevo sobre mim e para mim, sendo que esta última premissa é sempre verdadeira.

Mas hoje é um desses dias em que escrevo “de” mim... Já há algum tempo que andava com dúvidas sobre determinado assunto e agora finalmente lembrei-me de como poderia certificar-me de que estava certa.

Sabem quando querem muito descobrir uma “verdade”, que ainda não sabem se o é mas ao mesmo tempo têm receio porque uma vez descoberta não poderão fechar os olhos e fingir que não viram? Pois é, eu tenho destes impasses e além disso ainda tenho “sensações”, pressentimentos ou lá o que lhe queiram chamar... E em geral, quando tenho dúvidas sobre algo ou alguém e as sinto quase como certezas, é raro descobrir que estava enganada. Não sei se são os pressentimentos que são bons ou a tal certeza que sinto faz as coisas acontecer, o facto é que, posto isto, tenho sempre algum receio de me dedicar às minhas “investigações”.

À parte o facto das verdades muitas vezes nos magoarem, não sou de me ficar à espera do ontem... O medo nunca me impediu e desta não seria diferente. Não sou do tipo “antes uma mentira piedosa que uma verdade que dói”, pelo contrário... Gosto de saber sempre a verdade e detesto que julguem que me podem “comer por parva” (hoje estou muito Margarida Rebelo Pinto e muito pouco Bridget, perdoem-me os leitores).

Para aqueles que possam já estar em ânsias a pensar que está implícita uma critica aos homens (ou “ao” homem), podem acalmar os vossos corações. O casamento está aí à porta e não há tempestade que o abale. E também não está aqui uma crítica às amigas que habitualmente por aqui passam (as que comentam ou que não comentam), nada disso. Existem tantas outras coisas que preenchem a nossa vida, o nosso dia-a-dia agitado. Há tantas coisas que nos fazem correr, perder tempo precioso que poderíamos gastar com pessoas de quem gostamos ou a fazer coisas que nos fazem sentir de bem com a vida... Mas não, a sociedade impele-nos a viver na correria, a desenvolver espíritos capitalistas, a despertar necessidades não tão essenciais quanto isso... Todas as pessoas mudam com a vida, com o passar dos anos e, em geral, isso é bom. Em regra é sinal de que amadureceram, que se tornaram melhores pessoas... Outras não. E depois há pessoa que conseguem ser completamente diferentes nos diversos cenários em que actuam e isto é ainda mais chocante. A ideia de que podemos conhecer como a nós mesmos alguém com que lidamos à anos e que essa mesma pessoa, perante situações distintas pode ser outra, totalmente diferente... não é chocante, é assustador e deixa-nos um pouco perdidos...

Será que já não se usa ser frontal, directo, correcto e transparente com todas as pessoas e não apenas com quem interessa ou quando interessa?

Será que há valores que passaram de moda?

Será que nos dias que correm temos sempre que manter ambos os pés atrás, com todas as pessoas?

Talvez esteja a ser dura demais. Talvez as coisas não possam ser tão lineares, tão “a preto e branco”. Talvez eu esteja errada e demode. Não sei! A única coisa de que estou certa é que descobri algo que me desiludiu e que vou ter que fazer alguma coisa. Provavelmente serei a única prejudicada mas prefiro deparar-me com uma página em branco e reescrever tudo, do que tentar apagar o que sempre ficará “esborratado”... Porque simplesmente há sapos que não consigo engolir!

Agradeço as vossas opiniões... O que fariam se se deparassem com uma descoberta que, não sendo directamente convosco, influência a vossa vida e demonstra uma enorme falta de consideração por vós? O que fariam se uma tomada de posição, um “eu sei e não me vou calar”, um “basta, estou farta”, implicasse mudarem a vossa vida e a forma como ela está estruturada? O que fariam?

Beijos, kel.