sexta-feira, 8 de agosto de 2008

"a paz que eu preciso para sobreviver"

Ontem ouvi isto e fiquei a pensar… De que precisamos para viver ou sobreviver? O que nos fará realemente falta para enfrentar cada novo dia?

Além do trabalho que nos sustenta, das coisas básicas de todos os dias, o que poderá fazer-nos perder a esperança na humanidade e desistir?

Para algumas pessoas será ter alguém ao lado, uma companhia, um relacionamento, um amor. Outros há que não vivem se não estiverem rodeados de amigos, de animação, de festas. Há pessoas que confundem conhecidos com amigos e amigos com amor, outros há que não sabem amar, não querem ter ninguém por perto e prezam ao extremo a sua solidão.

Então o que será necessário para sobrevivermos num mundo cada vez mais tumultuado? Será que não conseguimos estabelecer um padrão?

É certo que cada pessoa é diferente da outra, todos temos expectativas e ambições muito diferentes mas também é verdade que acima de qualquer outra caracteristica, somos humanos.

Será que quem gosta da solidão é feliz à sua maneira ou será este, nada mais que um disfarce para os seus receios? Será que apenas decidiu preservar-se numa redoma invisivel com medo de viver?

Quem vive apenas em função dos amigos será que nunca sente falta de um carinho na chegada a casa? De um sorriso que o espera no final de um longo dia de trabalho? De ficar no sofá, debaixo da mantinha a ver filmes e a comer pipocas com o seu porto seguro? De alguém com quem partilhar os lençois e os sonhos?

E quem vive em função de uma só pessoa, será que realmente pode ser feliz e fazer feliz? Não será colocar uma responsabilidade maior do que se pode suportar, em cima de uma só pessoa que, julgamos, terá a capacidade de nos fazer sorrir todos os dias, fazer passar todos os problemas… E quando essa pessoa também precisar de nós? Será que lhe vamos dar espaço? Será que vamos conseguir estar lá para ela na mesma medida? E será que cada um não precisa do seu próprio espaço de vez enquando?

Sendo certo que não existem fórmulas milagrosas para a felicidade, eu acho que cada um deve procurar um pouco de tudo, numa receita equlibrada entre os diferentes tipos de amor que o nosso coração tem a capacidade de desenvolver por cada pessoa que entra na nossa vida, sem deixar de reservar algum do nosso tempo para nós mesmos… A solidão em excesso não pode fazer ninguém feliz mas parar um pouco, de vez enquando e olhar para dentro é o melhor calmante para todas as inquietudes!

Que vos parece? Voltei à idade dos porquês? …Como se alguma vez de lá saíssemos ;)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

"Some labels are best left in the closet"

Quem nunca idealizou o final feliz para a sua vida? Aquele momento em que tudo está perfeito, em que os Deuses conspiram a nosso favor e nada pode correr mal… Quem nunca se imaginou num conto de fadas?

Se é verdade que desde muito cedo percebi que os contos de fadas não passavam de imaginação e muito pouco próximos da realidade, não é menos verdade que nunca deixei de ter sonhos, de querer mais para mim e para a minha vida… ‘Estória Encantada ou não!

Acho que são precisamente os sonhos que nos fazem viver, lutar e vencer. Quando sonhamos (e todas as pessoas têm sonhos, quer o admitam ou não) estabelecemos objectivos, metas e enquanto andamos na prossecução destas, abstraímo-nos dos problemas exteriores, dos obstáculos… Porque com maior ou menor dificuldade e inconscientemente, sabemos que vamos ultrapassa-los.

Durante anos assisti à vida de quatro amigas com as quais me identificava, que viviam os dramas de todas as mulheres, que têm os seus momentos menos felizes e contam com a força de todas para as ajudar a ultrapassa-los e que, acima de tudo, não deixam de se levantar, de vestir um vestido arrojado e uma maquilhagem no rosto para sair com as companheiras de sempre e enfrentar a vida com uma gargalhada. Foi sobretudo esta atitude arrojada que transmitiam ter perante as vicissitudes que me prendeu sempre ao pequeno ecrã.

Fiquei um pouco desapontada quando a vida destas amigas da “caixinha” deixou de passar (depois de ter visto dezenas de episódios repetidos) mas agora, por fim, pude assistir novamente à vida delas e desta vez num “episódio” de duas horas e meia e adorei! A duração pareceu curta, a história fantástica, elas magnificas e a arrancarem de mim sucessivas gargalhadas e também alguma emoção, confesso. Fiquei contente por voltar a vê-las, como que de um reencontro de amigas se tratasse (a “caixinha mágica” tem destas coisas) e consegui, mesmo ao fim de tantos anos, continuar a identificar-me com elas porque também evoluíram nas suas vidas, porque a história tem a capacidade de nos fazer sentir que as temos acompanhado ao longo de todo este tempo, como se as conhecêssemos de facto. E sim, eu sei que é tudo ficção mas na minha vida também existem três amigas de carne e osso que, mais do quaisquer outras estão presente nas minhas aventuras e desventuras. Sinto que estas são as minhas Samantha, Miranda e Charlotte e não tenho dúvidas que me vão acompanhar para sempre, tal como o meu Big!

Esta é daquelas ‘estórias que vou mesmo rever(-me) ;)


Um beijo às minhas “Manhattan Girls”… It’s not logic, it’s love!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Há Dias Perfeitos...

Há dias em que tudo está como deveria estar e até o Sol decide sorrir-nos, depois de vários dias de chuva.

Foi assim o "nosso" dia... Pleno de sorrisos, de alegrias, de amigos, de sentimentos... Um dia rico em tudo aquilo que conta, em tudo o que marca a diferença nas nossas vidas. Não foi dia para nervos nem stress, tudo se articulou naturalmente e (espero) todos se divertiram tanto quanto nós.

Foi sem dúvida um dia especial, foi o meu dia de princesa, foi o dia do meu principe, foi um dia diferente de todos os que já vivemos e de todos os que se seguem... Para alguns terá sido dia de lágrimas (de alegria, claro!) para outros (a maioria em que me incluo) foi dia de sorrisos... Mas foi sobretudo um dia pleno e feliz porque o pudemos partilhar com todos aqueles que de um modo ou de outro fazem parte das nossas vidas. Alguns porque sempre estiveram ao nosso lado, porque nos acompanham desde sempre, porque nos viram nascer e crescer. Outros porque entraram na nossa vida, em algum momento mais ou menos remoto e nunca mais partiram. Em todo o caso tivemos connosco, neste dia, as pessoas que guardamos num cantinho especial nos nossos corações e que esperamos (para quem lá esteve irá lembrar-se destas palavras) continuem sempre, a fazer parte das nossas vidas. E se é verdade que o dia-a-dia sempre a correr por vezes não nos permite dispor do tempo que gostariamos para acarinhar todos os amigos, não é menos verdade que as amizades verdadeiras não enfraquecem com a distância geografica ou com a ausência de uma rotina entre amigos. A amizade verdadeira resiste a tudo isso, alimenta-se das mais pequenas coisas, de um telefonema, de um e-mail, de uma mensagem... que podem não acontecer todos os dias ou todas as semanas e, às vezes, nem todos os meses... Por vezes só falamos com os amigos tão de vez em quando que a saudade começa verdadeiramente a apertar-nos o coração... Mas temos a certeza que aquele amigo é para toda a vida quando o encontramos ao fim de vários meses e nos sentimos como se o tivessemos visto no dia anterior... É muito bom ter amigos de verdade, daqueles que estão sempre presentes nos momentos mais e menos importantes da nossa vida.
A todos os que fizeram parte deste "nosso" dia (e a ti noivo) obrigada por terem feito do meu sorriso uma constante!
Beijoca grande dos Trolius ;)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Muito pouco Bridget...

Embora a maioria dos que por aqui passam julguem que escrevo sobre a minha pessoa, isso nem sempre é verdade. Em geral escrevo sobre aquilo que vejo, que sinto no ar, que presencio ou simplesmente sobre aquilo que julgo serem as preocupações (ainda que não explicitas) da maioria das pessoas. E sim, uma vez por outra, muito de vez em quando, escrevo sobre mim e para mim, sendo que esta última premissa é sempre verdadeira.

Mas hoje é um desses dias em que escrevo “de” mim... Já há algum tempo que andava com dúvidas sobre determinado assunto e agora finalmente lembrei-me de como poderia certificar-me de que estava certa.

Sabem quando querem muito descobrir uma “verdade”, que ainda não sabem se o é mas ao mesmo tempo têm receio porque uma vez descoberta não poderão fechar os olhos e fingir que não viram? Pois é, eu tenho destes impasses e além disso ainda tenho “sensações”, pressentimentos ou lá o que lhe queiram chamar... E em geral, quando tenho dúvidas sobre algo ou alguém e as sinto quase como certezas, é raro descobrir que estava enganada. Não sei se são os pressentimentos que são bons ou a tal certeza que sinto faz as coisas acontecer, o facto é que, posto isto, tenho sempre algum receio de me dedicar às minhas “investigações”.

À parte o facto das verdades muitas vezes nos magoarem, não sou de me ficar à espera do ontem... O medo nunca me impediu e desta não seria diferente. Não sou do tipo “antes uma mentira piedosa que uma verdade que dói”, pelo contrário... Gosto de saber sempre a verdade e detesto que julguem que me podem “comer por parva” (hoje estou muito Margarida Rebelo Pinto e muito pouco Bridget, perdoem-me os leitores).

Para aqueles que possam já estar em ânsias a pensar que está implícita uma critica aos homens (ou “ao” homem), podem acalmar os vossos corações. O casamento está aí à porta e não há tempestade que o abale. E também não está aqui uma crítica às amigas que habitualmente por aqui passam (as que comentam ou que não comentam), nada disso. Existem tantas outras coisas que preenchem a nossa vida, o nosso dia-a-dia agitado. Há tantas coisas que nos fazem correr, perder tempo precioso que poderíamos gastar com pessoas de quem gostamos ou a fazer coisas que nos fazem sentir de bem com a vida... Mas não, a sociedade impele-nos a viver na correria, a desenvolver espíritos capitalistas, a despertar necessidades não tão essenciais quanto isso... Todas as pessoas mudam com a vida, com o passar dos anos e, em geral, isso é bom. Em regra é sinal de que amadureceram, que se tornaram melhores pessoas... Outras não. E depois há pessoa que conseguem ser completamente diferentes nos diversos cenários em que actuam e isto é ainda mais chocante. A ideia de que podemos conhecer como a nós mesmos alguém com que lidamos à anos e que essa mesma pessoa, perante situações distintas pode ser outra, totalmente diferente... não é chocante, é assustador e deixa-nos um pouco perdidos...

Será que já não se usa ser frontal, directo, correcto e transparente com todas as pessoas e não apenas com quem interessa ou quando interessa?

Será que há valores que passaram de moda?

Será que nos dias que correm temos sempre que manter ambos os pés atrás, com todas as pessoas?

Talvez esteja a ser dura demais. Talvez as coisas não possam ser tão lineares, tão “a preto e branco”. Talvez eu esteja errada e demode. Não sei! A única coisa de que estou certa é que descobri algo que me desiludiu e que vou ter que fazer alguma coisa. Provavelmente serei a única prejudicada mas prefiro deparar-me com uma página em branco e reescrever tudo, do que tentar apagar o que sempre ficará “esborratado”... Porque simplesmente há sapos que não consigo engolir!

Agradeço as vossas opiniões... O que fariam se se deparassem com uma descoberta que, não sendo directamente convosco, influência a vossa vida e demonstra uma enorme falta de consideração por vós? O que fariam se uma tomada de posição, um “eu sei e não me vou calar”, um “basta, estou farta”, implicasse mudarem a vossa vida e a forma como ela está estruturada? O que fariam?

Beijos, kel.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Baby steps…

Não existe tal coisa como “a pessoa certa” nem fórmulas secretas para a felicidade. Não existe o momento ideal ou o local perfeito. Não existem príncipes encantados nem princesas adormecidas. Existe o hoje, o momento presente, o agora... e embora as nossas escolhas se fundamentem, frequentemente, em experiências passadas, não podemos viver do passado nem prever o futuro. Tudo o que podemos fazer é viver cada dia o melhor que conseguimos e sabemos. Não é possível saber se todas as nossas escolhas são as correctas, nem se todas elas vão ter as consequências (ou a ausência destas) esperadas mas também não podemos deixar de arriscar viver. Cada mágoa do passado é um tijolo a mais num muro imenso que, ao longo dos anos, vamos construindo à nossa volta. Um muro que pode ficar de tal forma elevado que um dia acordamos e já não vemos nada além dele. Nada além de cada um dos tijolos, de cada uma das mágoas que fazem parte do nosso passado. Os muros construídos pela nossa imaginação e pelos nossos medos são construções sólidas, que não se abalam com qualquer sismo, com qualquer sorriso, com qualquer olhar. E à medida que estes muros vão tomando forma, nós vamos tendo cada vez mais dificuldade em nos relacionar com os outros, em ouvi-los sem duvidar, dar sem nada esperar, vamos tendo maior dificuldade em confiar, em nos entregarmos sem receios nem culpas, vamos tendo cada vez mais dificuldade em não ter medo. Porquê que se aprende mais facilmente em criança do que em adulto? A andar de bicicleta, por exemplo? Porque as crianças não têm medo. Porque não têm as experiências passadas, porque ainda não caíram vezes suficientes para saber que se podem magoar.

Eu já tive medo de cair e mais ainda de fazer cair. A partir de certa altura na vida percebi que cada queda doía mais que a anterior e comecei a não tentar fazer equilibrismo, a não andar por caminhos demasiado acidentados, por locais escuros. A certa altura percebi que por vezes também eu, sem querer, fazia cair outras pessoas e percebi que também elas – como eu – se magoavam... e, entre o medo de escorregar e o receio de passar rasteiras – ainda que involuntariamente – deixei de andar. Fiquei quieta, à espera que a vida passasse por mim sem que nenhum acidente se pudesse dar.

Era assim que estava quando alguém me fez ver que eu não podia simplesmente ficar à espera que os dias passassem em branco e me mostrou que existem pessoas que não tentar empurrar-nos, apenas querem ficar por perto para evitar as nossas quedas. E que, algumas vezes, eu poderia faze-lo cair mas ele saberia que não teria sido propositado e estava disposto a correr esse risco porque, também ele, queria viver sem medo.

Não sei se esta é a estrada que deveria ter seguido mas sei que neste percurso estou segura. Sei que se cair vou ter alguém que me ampara a queda e que se esticar o pé e tropeçarem nele, vão saber que apenas o fiz no momento errado e com o intuito de fazer mal. Sei que já não estou sozinha, que me conhecem como sou e embora valorizem mais as minhas qualidades, reconhecem alguns defeitos e sinto-me segura. Não sei se existiriam outros atalhos, se poderia ter experimentado outras sensações mas chega um momento em que temos que escolher entre a permanente incerteza e a paz de espírito... Eu escolhi viver sem pensar demasiado no futuro e aproveitar aquilo que posso ter em cada momento, porque nunca se sabe se vivemos mais um dia, uma semana, um ano ou muitas décadas... Se morrermos de velhice teremos todo o tempo para repensar todas as escolhas mas se um dia, sem aviso prévio, desaparecermos, iremos com a certeza de que fizemos o melhor que sabíamos e conseguimos.

A vida é mesmo assim, um livro aberto sem final escrito e que a cada página nos pode surpreender com novos desenvolvimentos e em que qualquer capítulo pode ser o último.

domingo, 30 de março de 2008

Encontros marcados...



As amigas não se procuram, no fundo nem se escolhem... encontram-se por acaso!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Minnie’s moving ahead…

Há momentos na vida em que duvidamos de nós e dos outros, duvidamos das possibilidades de ser feliz, julgamos que o mundo conspira contra nós. E há momentos em que tudo isto é mesmo verdade… Pelo menos para nós.
Há momentos na vida em que a esperança esmorece e o Sol não brilha… Vemo-nos sem caminho a seguir, nem para onde voltar… Há momentos na vida em que achamos que a vida não é bela, não é boa para se viver… Há momentos na vida em que nos perdemos de nós e do mundo, em que temos vontade de desistir, de parar de lutar… Há momentos na vida em que, depois de tantas quedas, de tantos recomeços, de novos tombos, já não nos queremos levantar… Temos medo de voltar a cair, temos receio de que a cada queda a dor seja mais intensa… Temos medo de quebrar! Há momentos na vida em que a vida não nos sorri e nós deixamos de conseguir sorrir para ela… Há momentos na vida em que nos secam os olhos e não conseguimos jorrar uma só lágrima… Há momentos em que tudo o que queremos é chorar a sós com a nossa dor… Há momentos de angustia, de perda, de corações partidos, de esperanças golpeadas, de partidas e chegadas, de ilusões criadas e sonhos desfeitos… Há momentos na vida em que não conseguimos encontrar razões para sair da cama a cada novo dia que começa… Momentos em que nos sentimos traídos, fragilizados, sem forças ou dormentes… Há momentos na vida que parecem uma vida inteira…
Quando já não conseguimos acordar… Quando já não conseguimos rir… Quando já não encontramos motivos para continuar a sonhar, a acreditar, a respirar, são os momentos que nos esboçaram sorrisos, que nos aqueceram a alma e o corpo, que um dia nos fizeram lutar… São estes momentos – muitos ou poucos – que nos dão força… É a capacidade (que só se aprende com a experiência, a desilusão, os altos e baixos) de guardar apenas as recordações felizes, os pequenos nadas que em algum momento representaram tudo, as gargalhadas partilhadas, a capacidade de aprender sempre algo com tudo e com todas as pessoas que cruzam o nosso destino… Porque é sempre possível aprender, porque nunca tudo é mau, porque se não houvesse aspectos positivos nós não continuaríamos a tentar, a viver uma mesma experiência… Porque tudo tem um lado positivo, por mais cliché que possa soar!
Existem pessoas que se desiludem mais e outras menos, existem pessoas que não se desiludem de todo porque não tentam e outras que encontram a “cara-metade” (seja lá o que isso for) à primeira investida… Eu acho que já passei por todas as fases, por todos os momentos… Excepto aqueles que farão parte de outras etapas da própria vida… Já cai muitas vezes e das mais variadas formas mas levantei-me sempre… Já houve momentos em que quis não existir, já houve momentos em que achei que nunca nada ia dar certo, já houve momentos em que não quis sair da cama, muitas manhãs em que não conseguia pensar em nenhuma razão para enfrentar mais um dia… Já houve momentos em que perdi amigos, família, saúde e amores… Momentos de ruptura, momentos de desilusão, de dúvida, de incerteza, de dor… Já houve momentos em que não tinha lágrimas para chorar e outros em que tudo eram lágrimas… Mas sempre me levantei… Quando somos mais novos custa muito erguer-nos após uma queda, depois vamos aprendendo e torna-se mais fácil… Mas nunca se aprende completamente… Há sempre algo ou alguém capaz de nos fazer sentir as inseguranças dos 16 anos… Não sei como será depois, quando os anos forem passando… Não sei se a esperança aumenta ou se esvai com a idade mas acredito que me vou sempre levantar após cada tombo… Acredito porque aprendi ao longo destes anos que já passaram que o importante é manter o coração limpo, a alma livre e o espírito aberto… O importante é não guardar rancores de nada nem de ninguém… Sempre vão existir obstáculos no caminho e pessoas que nos vão desiludir… O importante é aprender com cada má experiência e guardar muito bem as coisas boas que vão acontecendo… Quando alguém nos faz muito bem e, ao mesmo tempo, muito mal, é preciso pesar sorrisos e lágrimas e ver se vale a pena… É preciso saber quando devemos deixar de tentar… E quando isso acontece, é preciso ainda saber fazer as malas apenas com o que de bom restou e o que de bom existiu… O resto o tempo não cura mas ajuda muito.
E também é natural ter medo… O medo é próprio do Homem… É natural ter medo de voltar a sofrer, de voltar a perder… Mas o medo, embora bom, não nos deve impedir de avançar… E é isso que agora faço. É bom parar um minuto, um ano, dois anos… o tempo que o nosso coração pedir… Mas chega o momento (e às vezes pensamos que não mas ele sempre chega) em que é preciso fazer alguma coisa com a vida que falta viver… Nessa altura é preciso mais uma dose de coragem, mais um “respira fundo”, é preciso voltar a acreditar, voltar a confiar, voltar a tentar… E, mais cedo ou mais tarde, conseguimos. E as memórias não ficam no passado… Nada disso! As memórias acompanham-nos a vida toda! E não, não podemos esperar que os outros sejam exactamente aquilo que idealizamos, não podemos pensar que vamos encontrar ao longo do caminho, pessoas iguais… Cada ser humano é único e nada se repete… Mas aprendemos que cada etapa deve ser desfrutada ao máximo, que não podemos estagnar, que as rupturas acontecem sempre por uma razão (mesmo quando não sabemos qual… mesmo que nunca venhamos a saber…) e que a vida continua… E é muito, muito curta… E que passa mais depressa a cada ano… E que um dia – não tão distante como podemos julgar – olhamos para trás e não há nada para recordar… E que um dia – quando menos esperamos – já não estamos cá. E a vida não se repete, não nos permite usar lápis e borracha… Aquilo que vamos escrevendo não se apaga… Apenas podemos colocar um ponto final ou umas reticências e mudar de linha!
Depois de muitas dúvidas, depois de muitas hesitações, depois de muitos momentos a sós comigo, depois de viver um dia de cada vez, durante muitos dias, depois de muito adiar a minha vida… Decidi que era tempo de voltar a fazer planos. Posso não conseguir, ainda, fazer planos a longo prazo – porque ainda estou a reaprender a caminhar – mas vou fazendo o que consigo e vou tendo quem me acompanhe nestas pequenas passadas… Adiante novas estradas de vão desenhando, novos projectos, novas barreiras para vencer, novos desafios… Sempre com a certeza que, se cair… Vou ser capaz de me levantar… A tudo o que passou, até sempre… E ao futuro – tão próximo – Bem vindo!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Em catadupa…

Os ciclos sucedem-se, em catadupa e fazemos desta época o fim de cada um… Por vezes existem ciclos intermédios, com princípios e fins intermédios mas este, este é o grande “finale”!
A maioria das pessoas já começou há meses, ou pelo menos, semanas a preparar o grande dia ou noite e aguardam-na ansiosamente. E não foi por acaso que disse “a maioria das pessoas” mas sim porque não me posso incluir neste grupo festivo…
Este ano acordei muito tarde para o facto de ter o Natal à porta e tive que fazer as compras em tempo recorde mas continuo totalmente adormecida para o facto de ser “Fim de Ano”… Será que não quero que acabe? 2007 não foi assim tão bom… Ou será um receio inconsciente do inesperado, da mudança? Certamente que qualquer psicólogo encontraria uma razão para tudo isto, um trauma ou qualquer outro derivado mas eu não tenho explicação. Não sou grande fã de fazer festas de arromba porque, para mim, são sempre épocas nostálgicas… Não fico triste e até gosto muito de ver o brilho nos olhos das crianças, os sorrisos de quem recebe uma prenda de que gosta… Mas sinto sempre falta de quem já não está presente e outrora esteve. E se noutras alturas do ano me lembro delas (porque nunca se esquecem) mas consigo pegar no “balãozinho” da imaginação (qual banda desenhada) e furá-lo, fazendo-o em mil bolas de sabão, nesta data não e a saudade aperta um bocadinho mais.
Além disso esta é a época das hipocrisias quando deveria ser da sinceridade… Fingimos gostar de certas prendas porque fica bem, fingimos gostar da presença de certas pessoas que só aparecem nesta altura do ano porque fica bem, fingimos sorrisos, fingimos sentimentos… Para quem não consegue fingir é ainda mais complicado porque faz o papel de rena má (que tantas vezes já me assentou que nem uma luva) e assume lugar de destaque na “cruz”! Este ano o Natal foi pacifico, com menos gente do que já foi (uns porque já não estão nesta vida, outros porque se alheiam dela) mas sincero e isso soube muito bem. O Ano Novo quem sabe como será… Não há planos nem ideias… Existem sim resoluções de fim de ano que irão cumprir-se, com ou sem festa e existe amor no coração e paz de espírito para dar a quem estiver por perto… Que o ano que aí vem seja de sorrisos sinceros, olhares verdadeiros, corações puros, que seja de alegrias e não de perdas, que seja feliz e que tenhamos a capacidade de encontrar essa felicidade nas mais pequenas coisas e nos mais pequenos gestos…