sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Em catadupa…
A maioria das pessoas já começou há meses, ou pelo menos, semanas a preparar o grande dia ou noite e aguardam-na ansiosamente. E não foi por acaso que disse “a maioria das pessoas” mas sim porque não me posso incluir neste grupo festivo…
Este ano acordei muito tarde para o facto de ter o Natal à porta e tive que fazer as compras em tempo recorde mas continuo totalmente adormecida para o facto de ser “Fim de Ano”… Será que não quero que acabe? 2007 não foi assim tão bom… Ou será um receio inconsciente do inesperado, da mudança? Certamente que qualquer psicólogo encontraria uma razão para tudo isto, um trauma ou qualquer outro derivado mas eu não tenho explicação. Não sou grande fã de fazer festas de arromba porque, para mim, são sempre épocas nostálgicas… Não fico triste e até gosto muito de ver o brilho nos olhos das crianças, os sorrisos de quem recebe uma prenda de que gosta… Mas sinto sempre falta de quem já não está presente e outrora esteve. E se noutras alturas do ano me lembro delas (porque nunca se esquecem) mas consigo pegar no “balãozinho” da imaginação (qual banda desenhada) e furá-lo, fazendo-o em mil bolas de sabão, nesta data não e a saudade aperta um bocadinho mais.
Além disso esta é a época das hipocrisias quando deveria ser da sinceridade… Fingimos gostar de certas prendas porque fica bem, fingimos gostar da presença de certas pessoas que só aparecem nesta altura do ano porque fica bem, fingimos sorrisos, fingimos sentimentos… Para quem não consegue fingir é ainda mais complicado porque faz o papel de rena má (que tantas vezes já me assentou que nem uma luva) e assume lugar de destaque na “cruz”! Este ano o Natal foi pacifico, com menos gente do que já foi (uns porque já não estão nesta vida, outros porque se alheiam dela) mas sincero e isso soube muito bem. O Ano Novo quem sabe como será… Não há planos nem ideias… Existem sim resoluções de fim de ano que irão cumprir-se, com ou sem festa e existe amor no coração e paz de espírito para dar a quem estiver por perto… Que o ano que aí vem seja de sorrisos sinceros, olhares verdadeiros, corações puros, que seja de alegrias e não de perdas, que seja feliz e que tenhamos a capacidade de encontrar essa felicidade nas mais pequenas coisas e nos mais pequenos gestos…
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Anjos Caídos...
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Dormência…
Nestes momentos deveríamos ter a possibilidade de fechar a porta, ir embora, não querer saber, não atender o telemóvel, conduzir sem pensar, até à praia mais próxima, correr para a beira-mar e ali ficar… Ainda alheia e distante mas calma e pensativa… Pensar é bom e o mar acalma-me o espírito e o corpo… Deixa-me alheia sim mas da vida diária, nem sempre tão motivadora como gostaríamos ou tão garrida como sonhamos. E por isso é bom… pensar, sonhar, divagar e esquecer, ainda que por segundos, o dia-a-dia sempre agitado, apressado e sem tempo que nos impele para futuros que não escolhemos, apenas se foram desenhando, como que com vida própria e sem consentimento expresso de quem tem que os viver!
Hoje é um desses dias em que dava tudo para estar a sós comigo e com o bater das ondas, para esquecer a rotina e viver os sonhos… Para me deixar estar numa qualquer esplanada, com o sol a bater-me na cara e o cheiro a mar!
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
marcos na passagem...
Ao longe um som que não sei se ouço ou imagino… Aqui o silêncio.Num deserto apagado sinto o cheiro a maresia que invade cada poro do meu corpo. O caminho está esbatido, talvez por uma tempestade de areia e não consigo encontrar um trilho para seguir. Os passos que já dei não deixaram pegadas. Percebo que apenas conheço o preciso momento em que me encontro… Nada existe para trás… Nada vejo adiante.
Sem passado nem futuro, continuo nesta estrada inexistente que me leva a lado algum… Podia parar aqui! Ficar à espera que alguém passasse e me indicasse um caminho mas aqui não há nada e se parar morro um pouco mais.
O calor turva-me a visão e o percurso não tem fim… A única meta é viver e entre picadas de escorpião, tempestades e delírios, tenho conseguido.
Aqui não existem guias nem mapas, não há postos de informação nem transeuntes a cada esquina, prontos a informar. Aqui existem marcos que se encontram na passagem… Por vezes não os vemos logo porque estão ocultos ou porque julgamos não serem reais… Mas existem e aumentam as nossas hipóteses de alcançar a meta… E qualquer coisa pode ser um marco… se ao menos conseguíssemos ver! Frequentemente estamos tão concentrados naquilo que passou e no que vem pela frente (ora se não temos passado nem futuro… pobres tolos!) que não conseguimos valorizar as pequenas coisas que nos surgem no caminho… E perdemos a possibilidade de chegar à meta, porque procuramos algo grande, visivelmente útil, quando apenas precisávamos de um cantil de água, mesmo que pequenino, para conseguir aguentar até ao fim da jornada.
10.08.2007, kel.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Quadros inacabados...
A minha vida, a procura constante do equilíbrio que tarda em chegar, do sorriso que esmorece na rebentação das ondas do mar, da brisa que não corre, da felicidade que se perdeu numa das outras vidas que não vivi…
A minha vida, um mar flamejante de inconstância e dúvida… De traços e rabiscos que faço e logo apago, de quadros inacabados, de linhas curvas que desaparecem sob gotas de chuva ao Sol de Verão.
A minha vida, lágrimas que caem dentro da alma que deixei fugir… Tumultos de paz que não alcanço, de respostas de não encontro, de luas que não brilham.
A minha vida, um sono profundo que logo desperta… Um acordar para a profundidade do desconhecimento absoluto daquilo que nem sei se existe.
A minha vida, a solidão entre as gentes, uma onda de calor em terras gélidas, um olhar longínquo em olhos que não se abriram.
A minha vida é uma permanente inquietude sem resposta… Um sonho que nunca foi… Um sorriso que não sorriu… Uma calma de guerra… Um Sol que não chegou a nascer… Uma onda num mar calmo… A minha vida!
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Reencontros
Ao fundo uma bola de fogo emana luz de um vermelho alaranjado que ilumina a praia. O mar é um manto sem cor, de todas as cores e o ondular sereno das águas assemelha-se a uma melodia frágil e tranquilizante. É neste cenário que procura encontrar-se consigo próprio. No seu rosto de porcelana duas janelas de alma cor de avelã, conduzem-no pela areia macia e, talvez cansado – do corpo ou do espírito – deixa-se cair à beira mar. Inspira profundamente como se tentasse conter nos pulmões todo o aroma a maresia, toda a imagem que o cerca e onde permanece, acariciando o cabelo de oiro, num gesto de quem procura encontrar-se. É ali que se senta sempre que precisa de se sentir vivo!De repente, uma silhueta ao longe fá-lo regressar ao passado… As curvas confundem-se com as ondas do mar, uma longa mancha negra desce sobre os seus ombros, fazendo sobressair o mar no olhar. Fecha os olhos fortemente e volta a abri-los, como que para acordar de um sonho mas a figura continua a avançar pela praia, alheia a tudo. Não era um sonho, tão pouco uma mera semelhança… O coração bate descompassado… Tantos anos depois, o que lhe diria? Teria casado? Lembrar-se-ia dele? Não sabia o que fazer! Se a deixava passar sem uma palavra ou se aproveitava aquele momento para ter outra vez vinte e dois anos! Sentia-se um garoto apaixonado, de pernas a tremer e mãos suadas e frias. Aquela podia ser a última oportunidade que teria de ver nos oceanos contidos em seu olhar, de sentir a pele que lembrava como seda… Não podia ficar ali, paralisado… Sempre de olhos postos na sua antiga paixão, avançou pela areia até que esta pousasse os olhos nele… Num momento sem tempo e sem sons, num segundo que pareceu uma vida, todo o passado voltava e o presente deixara de existir… Como se não tivesse passado um dia – quanto mais vinte anos – entregaram-se num longo e profundo abraço, deixando o mundo lá fora.
quarta-feira, 28 de março de 2007
Cair no vazio… !?
Ridículo é viver no passado, é viver de recordações, é acreditar em coisas que não existem como pertenças nossas… Ridículo é deixar de viver a vida, de aproveitar o presente para viver de coisas que foram e não mais serão… Ridículo é achar que os animais selvagens se domesticam, que as pessoas se aprisionam em gaiolas invisíveis… ridículo é viver de imitações, é não se ser genuíno, real, verdadeiro, feito de matéria e não de aparências… Ridículo é acreditarmos num mundo que só existe na nossa imaginação, é criarmos ilusões e obrigarmos, a nós e aos outros a viver nelas… Ridículo é ter medo de mudar, de arriscar, de conhecer, de viver! Ridículo é não ter vida própria, é viver à sombra de um sentimento inexistente. Ridículo é tudo aquilo que deixamos de fazer com medo de tentar, de arriscar, porque o maior risco que corremos é não fazer nada… Ridículo é perder tempo e energias a observar vidas alheias, a cobiça-las, a idealiza-las como nossas, em vez de arranjarmos uma vida só nossa… com personagens reais, com histórias reais, com sentimentos de verdade… Ridículo é viver na farsa quando podíamos viver felizes, é querermos mal aos outros quando podíamos apenas preocuparmo-nos com o nosso bem… Afinal, o quê que se lucra com o mal alheio? Ridículos são os sentimentos de perda recalcados, de piedade, de vingança, de ódio, de raiva… Porque só nos consomem energias que podíamos aplicar em coisas úteis e assim caem no vazio. Ridículo é acreditar que uma mentira pode durar para sempre e não procurar mudar o rumo do que não está bem… Por comodismo, cobiça, maldade ou por coisa nenhuma.Ridículo é não viver porque quem pensa que “quase morreu, ainda está vivo… Mas quem julga que quase viveu, já morreu há muito”!
Carpe Diem ;)
terça-feira, 6 de março de 2007
Azafama…
Já não sei por onde vou… Todos os caminhos parecem turvos demais para decifrar.Perdi-me dos sonhos em algum ponto do caminho e fiquei retida nas somas e subtracções de uma vida que corre depressa demais… Tão veloz que já não consigo acompanhá-la!
Cansada de mim, repouso sob o Sol que ilumina o dia que passa mas não a alma… Os olhos – mesmo fechados – permitem imaginar a imensa claridade ao meu redor… Sinto que se os abrir posso cegar e então deixo-me estar… Também não queria… Não quero ver mais nada! Vi tudo o que queria e também o que desejava não ter visto.
Deixo-me estar nesta indolência inquietante que me invade o corpo e entorpece os movimentos… Os membros pesam toneladas e a cabeça ficou oca! Os olhos fizeram-se oceanos e a boca um deserto… Pouco resta em meu peito que conforte… Quero deixar-me cair neste esquecimento e descansar do Mundo e das Pessoas… Só hoje… Deixar-me ficar e esquecer o que está lá fora.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Quando o céu ganha Estrelas Vivas…
Às vezes a vida passa e nós não damos por ela. Todos os dias há pessoas que nascem e outras que morrem… Noticiam-se os acidentes rodoviários, as catástrofes naturais, as guerras e os ataques terroristas… Pouco se falam das coisas boas que vão acontecendo pelo mundo fora… E aprendemos – talvez por estas razões – a só parar perante o infortúnio. É nos momentos de perda que fazemos a retrospectiva das nossas vidas, que nos damos conta do que deixamos escapar, dos momentos felizes que vivemos, dos planos que temos, de tudo o que nos faz sorrir e chorar… Daquilo que é a nossa vida, daquilo que ela poderá ser, das transformações que pode sofrer perante a perda…É difícil ver partir alguém de quem gostamos ou mesmo alguém que apenas conhecemos ou ouvimos falar… a morte é sempre um tema difícil, não sabemos lidar com ela, não a encaramos como uma das fases da vida e sim como um fim… Acho que é isto que torna tudo mais difícil.
A saudade que sentimos de alguém que já não está cá é infinitamente grande e imediata, pelo simples facto de sabermos que não vamos voltar a ver essa pessoa.
Na verdade, a morte é um processo da vida… Seria mais fácil de entender se todos morressem de velhice (ou talvez não) mas a natureza ou o destino impelem-nos muitas vezes para realidades mais cruéis… Temos que, a cada dia, saber aproveitar o que a vida nos oferece, cada momento, cada pessoa que cruza o nosso caminho, cada gargalhada, cada sorriso, cada lágrima, cada nascer do sol, cada pôr-do-sol, cada luar… Cada sopro de vida tem que ser inspirado como se fosse o último e, talvez, se tivermos esta capacidade, não fiquemos tão tristes e perdidos quando somos confrontados com a essa derradeira etapa…
Carpe Diem, sempre!
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*Rest In Peace Susana*
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