quarta-feira, 27 de junho de 2007

Quadros inacabados...

A minha vida, um rascunho de mim… Um esboço dos caminhos que não tracei, dos trilhos que deixei de percorrer, das muitas vidas que não vivi… De tantas outras que ainda respiro.
A minha vida, a procura constante do equilíbrio que tarda em chegar, do sorriso que esmorece na rebentação das ondas do mar, da brisa que não corre, da felicidade que se perdeu numa das outras vidas que não vivi…
A minha vida, um mar flamejante de inconstância e dúvida… De traços e rabiscos que faço e logo apago, de quadros inacabados, de linhas curvas que desaparecem sob gotas de chuva ao Sol de Verão.
A minha vida, lágrimas que caem dentro da alma que deixei fugir… Tumultos de paz que não alcanço, de respostas de não encontro, de luas que não brilham.
A minha vida, um sono profundo que logo desperta… Um acordar para a profundidade do desconhecimento absoluto daquilo que nem sei se existe.
A minha vida, a solidão entre as gentes, uma onda de calor em terras gélidas, um olhar longínquo em olhos que não se abriram.
A minha vida é uma permanente inquietude sem resposta… Um sonho que nunca foi… Um sorriso que não sorriu… Uma calma de guerra… Um Sol que não chegou a nascer… Uma onda num mar calmo… A minha vida!

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Reencontros

Ao fundo uma bola de fogo emana luz de um vermelho alaranjado que ilumina a praia. O mar é um manto sem cor, de todas as cores e o ondular sereno das águas assemelha-se a uma melodia frágil e tranquilizante. É neste cenário que procura encontrar-se consigo próprio. No seu rosto de porcelana duas janelas de alma cor de avelã, conduzem-no pela areia macia e, talvez cansado – do corpo ou do espírito – deixa-se cair à beira mar. Inspira profundamente como se tentasse conter nos pulmões todo o aroma a maresia, toda a imagem que o cerca e onde permanece, acariciando o cabelo de oiro, num gesto de quem procura encontrar-se. É ali que se senta sempre que precisa de se sentir vivo!
De repente, uma silhueta ao longe fá-lo regressar ao passado… As curvas confundem-se com as ondas do mar, uma longa mancha negra desce sobre os seus ombros, fazendo sobressair o mar no olhar. Fecha os olhos fortemente e volta a abri-los, como que para acordar de um sonho mas a figura continua a avançar pela praia, alheia a tudo. Não era um sonho, tão pouco uma mera semelhança… O coração bate descompassado… Tantos anos depois, o que lhe diria? Teria casado? Lembrar-se-ia dele? Não sabia o que fazer! Se a deixava passar sem uma palavra ou se aproveitava aquele momento para ter outra vez vinte e dois anos! Sentia-se um garoto apaixonado, de pernas a tremer e mãos suadas e frias. Aquela podia ser a última oportunidade que teria de ver nos oceanos contidos em seu olhar, de sentir a pele que lembrava como seda… Não podia ficar ali, paralisado… Sempre de olhos postos na sua antiga paixão, avançou pela areia até que esta pousasse os olhos nele… Num momento sem tempo e sem sons, num segundo que pareceu uma vida, todo o passado voltava e o presente deixara de existir… Como se não tivesse passado um dia – quanto mais vinte anos – entregaram-se num longo e profundo abraço, deixando o mundo lá fora.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Cair no vazio… !?

Ridículo é viver no passado, é viver de recordações, é acreditar em coisas que não existem como pertenças nossas… Ridículo é deixar de viver a vida, de aproveitar o presente para viver de coisas que foram e não mais serão… Ridículo é achar que os animais selvagens se domesticam, que as pessoas se aprisionam em gaiolas invisíveis… ridículo é viver de imitações, é não se ser genuíno, real, verdadeiro, feito de matéria e não de aparências… Ridículo é acreditarmos num mundo que só existe na nossa imaginação, é criarmos ilusões e obrigarmos, a nós e aos outros a viver nelas… Ridículo é ter medo de mudar, de arriscar, de conhecer, de viver! Ridículo é não ter vida própria, é viver à sombra de um sentimento inexistente. Ridículo é tudo aquilo que deixamos de fazer com medo de tentar, de arriscar, porque o maior risco que corremos é não fazer nada… Ridículo é perder tempo e energias a observar vidas alheias, a cobiça-las, a idealiza-las como nossas, em vez de arranjarmos uma vida só nossa… com personagens reais, com histórias reais, com sentimentos de verdade… Ridículo é viver na farsa quando podíamos viver felizes, é querermos mal aos outros quando podíamos apenas preocuparmo-nos com o nosso bem… Afinal, o quê que se lucra com o mal alheio? Ridículos são os sentimentos de perda recalcados, de piedade, de vingança, de ódio, de raiva… Porque só nos consomem energias que podíamos aplicar em coisas úteis e assim caem no vazio. Ridículo é acreditar que uma mentira pode durar para sempre e não procurar mudar o rumo do que não está bem… Por comodismo, cobiça, maldade ou por coisa nenhuma.
Ridículo é não viver porque quem pensa que “quase morreu, ainda está vivo… Mas quem julga que quase viveu, já morreu há muito”!
Carpe Diem ;)

terça-feira, 6 de março de 2007

Azafama…

Já não sei por onde vou… Todos os caminhos parecem turvos demais para decifrar.
Perdi-me dos sonhos em algum ponto do caminho e fiquei retida nas somas e subtracções de uma vida que corre depressa demais… Tão veloz que já não consigo acompanhá-la!
Cansada de mim, repouso sob o Sol que ilumina o dia que passa mas não a alma… Os olhos – mesmo fechados – permitem imaginar a imensa claridade ao meu redor… Sinto que se os abrir posso cegar e então deixo-me estar… Também não queria… Não quero ver mais nada! Vi tudo o que queria e também o que desejava não ter visto.
Deixo-me estar nesta indolência inquietante que me invade o corpo e entorpece os movimentos… Os membros pesam toneladas e a cabeça ficou oca! Os olhos fizeram-se oceanos e a boca um deserto… Pouco resta em meu peito que conforte… Quero deixar-me cair neste esquecimento e descansar do Mundo e das Pessoas… Só hoje… Deixar-me ficar e esquecer o que está lá fora.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quando o céu ganha Estrelas Vivas…

Às vezes a vida passa e nós não damos por ela. Todos os dias há pessoas que nascem e outras que morrem… Noticiam-se os acidentes rodoviários, as catástrofes naturais, as guerras e os ataques terroristas… Pouco se falam das coisas boas que vão acontecendo pelo mundo fora… E aprendemos – talvez por estas razões – a só parar perante o infortúnio. É nos momentos de perda que fazemos a retrospectiva das nossas vidas, que nos damos conta do que deixamos escapar, dos momentos felizes que vivemos, dos planos que temos, de tudo o que nos faz sorrir e chorar… Daquilo que é a nossa vida, daquilo que ela poderá ser, das transformações que pode sofrer perante a perda…
É difícil ver partir alguém de quem gostamos ou mesmo alguém que apenas conhecemos ou ouvimos falar… a morte é sempre um tema difícil, não sabemos lidar com ela, não a encaramos como uma das fases da vida e sim como um fim… Acho que é isto que torna tudo mais difícil.
A saudade que sentimos de alguém que já não está cá é infinitamente grande e imediata, pelo simples facto de sabermos que não vamos voltar a ver essa pessoa.
Na verdade, a morte é um processo da vida… Seria mais fácil de entender se todos morressem de velhice (ou talvez não) mas a natureza ou o destino impelem-nos muitas vezes para realidades mais cruéis… Temos que, a cada dia, saber aproveitar o que a vida nos oferece, cada momento, cada pessoa que cruza o nosso caminho, cada gargalhada, cada sorriso, cada lágrima, cada nascer do sol, cada pôr-do-sol, cada luar… Cada sopro de vida tem que ser inspirado como se fosse o último e, talvez, se tivermos esta capacidade, não fiquemos tão tristes e perdidos quando somos confrontados com a essa derradeira etapa…

Carpe Diem, sempre!

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*Rest In Peace Susana*
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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Compasso desconcertante...

Sobre a cidade um manto negro pontilhado é cenário para as criaturas da noite! Como hienas famintas começam, pouco a pouco, a sair das suas tocas e preparam-se para a caçada. Passeiam-se nas ruas à espera de companhia que as faça ganhar o pão do dia seguinte… Uma vida dura e incompreendida. Neste compasso desconcertante vêem passar outros noctívolos, sem que uns interfiram na actividade de outros. Morcegos bege percorrem as ruas em busca de carne fresca e muitas vezes encontram mas, é ao final das noites que as presas são mais fáceis! Nas jibóias amarelas que se cobrem de publicidade de todo o tipo, circulam transeuntes perdidos com destino marcado, como o homem ao fundo.
A pele de porcelana cobre um conjunto de ossos desalinhados. Sobressaem dois pontos cinzentos, quase brancos, na extremidade superior do seu corpo… pequenos e alheios supõem-se perdidos noutro mundo. Contrasta com a figura, a roupa que veste – tão escura como a noite que o abraça!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

O mar é um manto sem cor, de todas as cores...

Ao fundo uma bola de fogo emana luz de um vermelho alaranjado que ilumina a praia. O mar é um manto sem cor, de todas as cores e o ondular sereno das águas assemelha-se a uma melodia frágil e tranquilizante. É neste cenário que ela procura encontrar-se consigo própria. No seu rosto de porcelana duas janelas de alma, cor de avelã. De aspecto delicado, desliza como uma pluma pela areia macia e deixa-se cair à beira mar. Inspira profundamente como se tentasse conter nos pulmões todo o aroma a maresia, toda a imagem que a cerca e onde permanece, acariciando os seus cabelos de oiro. É ali que se senta sempre que precisa de sentir-se viva! Naquele turbilhão de cheiros, cores e emoções, a aragem que já se faz sentir devolve-lhe a clareza ao pensamento e o compasso ao coração.
Aperta o casaco, de fazenda cor-de-rosa, contra o peito e levanta as golas… Parece que se quer esconder do mundo ou talvez apenas tente proteger-se do frio!
Um último olhar, um último suspiro, os pés na água quase tão gélida como a sua figura e prepara-se para deixar a praia, levando a imagem na mente, como um quadro de Dali.A bola de fogo extinguiu-se no horizonte e é já quase noite… O tempo correu veloz sem que ela, sempre distraída, tivesse dado por isso. Pé ante pé e de alma vazia abandona a praia, despedindo-se até ao próximo reencontro!

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Todos os segundos contam...

Desce as escadas de pedra, escuras e frias. Ao lado, água e musgo formam um lago esverdeado. De frente, apenas à distância de um penhasco, o mar revolto que embate contra as rochas. O céu é, todo ele, uma névoa, não há sol nem contornos, apenas uma uniformidade cinzenta e ameaçadora… Ainda assim a paisagem não podia ser mais perfeita. O caminho segue por uma ponte estreita, de madeira e conduz ao interior das rochas.
Ali, sentado, observa pela janela de luz a sua beleza, absorvendo cada sopro de vento, cada segundo que passa… Mais do que uma cara procura nos olhos a alma que quer conhecer, desvendar.
Ali, sentado, observa as ondas que explodem ferozes e a calmaria que o sorriso lhe inspira! Podia passar todo o tempo a olhá-la… a ela, às ondas, ao cinzento do céu… Podia até chover desalmadamente que nada iria quebrar o encantamento que a imagem lhe provoca… Não fosse a interrupção do empregado de mesa para recolher os pedidos!
Certos dias são assim… qualquer imagem é feliz e mesmo a chuva é uma bênção.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

O Natal é um estado de mente... BOAS FESTAS!

Chegados a esta altura do ano, a nostalgia e a saudade são sentimentos que teimam abater-se sobre nós. É comum fazermos uma retrospectiva sobre o que aconteceu ao longo do Ano que finda, tomarmos decisões quanto ao que pretendemos mudar… Enfim, faz-se um balanço sobre o melhor e o pior.
Nos olhos assistimos ao filme da nossa vida, como um Romance que vai sendo escrito ano após ano… Vai ganhando novos contornos, novas cenas, novos personagens… Esta é a altura em que temos saudades de tudo aquilo que andamos a tentar esquecer. É o momento dos reencontros, das lágrimas, é o momento em que paramos para ver quem falta… E se é verdade que o filme das nossas vidas está sempre a ganhar novos personagens, não é menos verdade que todos os anos há elenco que falta… E voltamos a sentir Saudade! Vem a lágrima matreira, desliza pelo rosto e denúncia a tristeza da alma… Ou talvez este não seja o termo correcto. Percebi recentemente, em conversa com um amigo, que nem todos os momentos que nos fazem chorar são de tristeza… Há muitos momentos que – passada a mágoa, a desilusão, a imensa falta que se possa sentir – percebemos que não foram menos bons pelo facto de não terem tido continuidade… Há momentos que ficam para sempre gravados e nunca vamos poder apagar mas, apesar disso e por isso mesmo, a vida segue e muda constantemente… Só quando conseguimos recordar com serenidade, podemos valorizar o que representa cada momento passado. Hoje sei que todas essas passagens são boas (mesmo que numa determinada altura nos tenham feito menos bem), sei que certas coisas devem ser valorizadas e outras esquecidas, sei que tudo contribui para o nosso crescimento enquanto seres humanos, se soubermos tirar daí lições positivas, sei que quem passa deixa saudade mas que isso não tem que ser um sentimento mau… Sei enfim, que cada pôr-do-sol conta e cada pessoa que entra em cena, fá-lo por uma razão – mesmo que ninguém compreenda qual - sei que somos feitos de tudo o que nos rodeia, que cada um de nós é um Universo, sei que existem pessoas más, pessoas capazes de nos querer mal, sei que não tenho a capacidade de compreender isso – reconheço as minhas limitações – mas sei que existem muitas outras que têm em si o Sol e valem por tudo o resto, sei que se estiver triste posso ver o riso sincero dos pequeninos e lavar a alma!

É Natal… Vamos ser melhores pessoas e ser FeliZes!!!!!!!!!!! :)

FeliZ Natal e pRóspeRo Ano Novo!!!!


*** “O Natal não é um momento nem uma estação, senão um estado da mente. Valorizar a paz e a generosidade e ter graça é compreender o verdadeiro significado de Natal”

(Calvin Coolidge) ***

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Prisioneira de si...

Grandiosa e bela, suave e sombria, calma e perturbadora, assim é ela… Sempre distante e fria, inspira os poetas ao longo dos tempos para a mais bela escrita, para o mais profundo dos sentimentos… Alheia a todas as histórias sinistras que sobre si se contam, alheia à mesquinhez dos Homens assim se mantém… impávida e serena.
Se é verdade que outros há que têm mais luz que ela, seria ilusório pensar que algum exerce maior encanto… Contudo, Ai daqueles que a julgam feliz em sua escuridão… Este encanto não é mais que uma prisão em si mesma… É um feitiço que alguém, um dia, lançou e que talvez nunca venha a quebrar-se… O Destino de estar só em sua magia! Esta podia ser a descrição de muitos de vós, podia ser a minha descrição… Aprisionada num feitiço que não sei como findar, nas masmorras da noite e em busca de coisa nenhuma… Mas falo apenas da Lua… O feitiço da Lua… A Lua, que a todos encanta e não é de ninguém!